Internacional tem 45 dias para regularizar pendências financeiras e evitar restrições no registro de atletas.Foto: Reprodução da Internet
O Internacional recebeu uma nova advertência no sistema de sustentabilidade financeira do futebol e terá de regularizar diferentes obrigações para evitar o agravamento das consequências esportivas. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) identificou pagamentos em atraso relacionados ao exercício de 2026 e estabeleceu prazos distintos para que o clube apresente uma solução.
A principal frente envolve pendências com o Athletico-PR e o Juazeiro Empreendimentos Esportivos. Para esses compromissos, o Colorado recebeu 45 dias para quitar ou ajustar os valores apontados. O prazo representa uma oportunidade para impedir que o caso avance para uma nova punição ligada ao registro de jogadores.
Advertência ainda não é um novo transfer ban
A decisão da Anresf não significa que o Internacional já esteja submetido a outro transfer ban por causa das dívidas com Athletico-PR e Juazeiro. Neste momento, o clube está diante de uma determinação de regularização. A eventual restrição dependerá do descumprimento do prazo e da adoção posterior das medidas previstas no sistema.
Na prática, o risco está relacionado à possibilidade de o Inter ser impedido de registrar atletas. A consequência afetaria o planejamento esportivo do clube, mas não foi aplicada imediatamente pela agência em razão dessas duas pendências. O período de 45 dias, portanto, funciona como uma janela para que a administração resolva a situação antes de uma eventual sanção.
As obrigações têm origem no novo mecanismo de fiscalização financeira, que acompanha compromissos assumidos pelos clubes e prevê respostas diferentes de acordo com a natureza de cada caso. Por isso, o prazo concedido para Athletico-PR e Juazeiro não deve ser confundido com os períodos estabelecidos para as demais pendências citadas na decisão.
Dívida com jogador exige resposta em 15 dias úteis
Além dos dois credores, a agência apontou uma obrigação financeira envolvendo um jogador. Nesse caso, o Internacional terá 15 dias úteis para regularizar o débito, período menor do que o concedido para as pendências com os clubes e a empresa esportiva.
A consequência prevista também é específica: se a obrigação não for solucionada dentro do prazo, poderá ser aplicada uma multa de R$ 100 mil. O material disponível não identifica o atleta envolvido nem informa se essa dívida tem relação direta com os compromissos atribuídos ao Athletico-PR e ao Juazeiro.
A diferença entre os prazos exige que o clube acompanhe os processos separadamente. A pendência com o jogador demanda uma resposta mais rápida, enquanto os débitos com Athletico-PR e Juazeiro têm como referência o período de 45 dias e podem resultar em uma nova limitação para o registro de atletas caso permaneçam sem solução.
Outras obrigações têm regularização recomendada
A decisão da Anresf também menciona compromissos de 2026 envolvendo clubes estrangeiros e autoridades públicas. Para esse grupo, houve uma advertência e uma recomendação de que as situações sejam resolvidas até o fim de outubro.
O material não detalha, no conteúdo disponível, quais são os clubes estrangeiros, quais autoridades públicas estão envolvidas ou quais valores correspondem a cada pendência. Por isso, não é possível estabelecer se essas obrigações terão o mesmo efeito previsto para as dívidas com Athletico-PR e Juazeiro ou para o débito relacionado ao jogador.
O cenário apresentado reúne, assim, pelo menos três tipos de providência: a regularização em 45 dias dos compromissos com Athletico-PR e Juazeiro, a solução em 15 dias úteis para a dívida com um atleta e o atendimento à recomendação de resolver até o fim de outubro as obrigações com entidades estrangeiras e autoridades públicas.
Inter já convive com restrições de origens diferentes
O novo alerta se soma a um quadro financeiro que já produz efeitos sobre o Internacional, mas não substitui nem amplia automaticamente as punições anteriores. O clube possui dois transfer bans aplicados pela Fifa. As restrições estão relacionadas às negociações do atacante Juninho com o Midtjylland e do jogador Ramon com o Olympiacos.
Também existe um bloqueio preventivo nacional determinado pela Anresf. Essa medida foi estabelecida depois que o Internacional apresentou um pedido de plano coletivo para o pagamento de credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas.
Pelas regras do sistema de sustentabilidade financeira, a apresentação desse plano foi enquadrada como um evento de insolvência. O passivo incluído inicialmente no processo foi informado em aproximadamente R$ 31 milhões, valor que levou à adoção de condições específicas para novos registros e para gastos relacionados ao futebol.
As restrições, portanto, têm origens distintas. Os bloqueios da Fifa decorrem de negociações específicas envolvendo Juninho e Ramon. O bloqueio preventivo nacional está ligado ao pedido de pagamento coletivo e ao enquadramento previsto nas regras da Anresf. Já a advertência mais recente trata de obrigações financeiras de 2026 que ainda precisam ser regularizadas.
Regularização será decisiva para evitar novos efeitos
O Internacional terá de conciliar as limitações já existentes com os novos prazos determinados pela agência. A prioridade mais imediata é a pendência envolvendo o jogador, que pode gerar multa de R$ 100 mil após 15 dias úteis sem solução. Em seguida, o cumprimento do prazo de 45 dias será determinante para impedir que as dívidas com Athletico-PR e Juazeiro provoquem outra restrição no registro de atletas.
Até que os períodos terminem, não há base para afirmar que o clube recebeu um novo transfer ban por essas obrigações. O que está confirmado é a existência de uma nova advertência, acompanhada de determinações e recomendações com consequências diferentes.
A resposta do Internacional e a comprovação da regularização perante a Anresf definirão os próximos passos. Se o clube conseguir solucionar as pendências dentro dos prazos, o alerta não deverá evoluir para as sanções previstas nesses casos. Se isso não ocorrer, o Colorado poderá enfrentar novas dificuldades administrativas e esportivas para organizar o elenco e cumprir seu planejamento no futebol.