Euller acredita que o Vasco tem condições de superar o Boca e alcançar a final da Sul-Americana.Foto: Reprodução da Internet
O reencontro entre Vasco e Boca Juniors na semifinal da Copa Sul-Americana resgatou uma lembrança dolorosa para Euller, um dos nomes marcantes da história cruz-maltina. Mais de duas décadas depois da eliminação na Libertadores de 2001, o ex-atacante analisou as diferenças entre os dois momentos e demonstrou confiança na equipe que disputará a vaga na decisão.
O primeiro duelo da semifinal está marcado para esta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), na Bombonera, em Buenos Aires. A partida de volta será realizada no Brasil, com o Vasco tendo a possibilidade de decidir a classificação diante de sua torcida. Para Euller, esse fator pode pesar na disputa, desde que o time consiga atravessar o confronto na Argentina em boas condições.
Euller relembra eliminação do Vasco em 2001
Na Copa Libertadores de 2001, Vasco e Boca se encontraram nas quartas de final. O time argentino venceu por 1 a 0 em São Januário e levou vantagem para a partida de volta. Na Bombonera, os donos da casa abriram três gols de diferença ainda nos primeiros 30 minutos e confirmaram a classificação.
Euller reconheceu a força daquela equipe do Boca, que tinha Juan Román Riquelme entre seus principais jogadores. Na avaliação do ex-atacante, aquele elenco argentino esteve entre os mais fortes de sua época e reunia condições para disputar regularmente as fases decisivas dos torneios continentais.
Apesar do peso do adversário, o ídolo vascaíno apontou que o desempenho no primeiro jogo foi determinante para o desfecho. Em sua leitura, o Vasco poderia ter aproveitado o mando de campo para construir uma vantagem mais confortável, mas não conseguiu apresentar seu melhor futebol em São Januário.
“Tínhamos totais condições de, em casa, vencer e encaminhar a classificação, mas não jogamos bem”, afirmou Euller, em entrevista ao Bolavip Brasil.
O ex-jogador também mencionou a atuação do goleiro Helton naquela partida. Segundo a lembrança de Euller, o camisa 1 não demonstrou a segurança habitual, e o resultado no Rio de Janeiro obrigou o Vasco a buscar uma reação em um ambiente ainda mais difícil.
Vasco terá decisão em casa nesta semifinal
O cenário atual, na visão do ex-atacante, apresenta elementos diferentes do confronto de 2001. Euller considera que o Vasco atravessa um processo de evolução e avalia que o Boca não reproduz necessariamente a mesma força do time que dominava o futebol sul-americano no começo dos anos 2000.
Essa comparação não elimina a dificuldade do duelo. A Bombonera permanece associada à pressão exercida pela torcida argentina, especialmente em jogos eliminatórios. O Vasco, portanto, precisará lidar com o ambiente fora de casa antes de tentar definir a vaga no Brasil.
A ordem dos mandos, porém, é vista por Euller como uma vantagem importante para o clube carioca. Depois do jogo em Buenos Aires, o time terá a oportunidade de disputar a segunda partida diante de seus torcedores. Em uma semifinal, esse contexto pode influenciar a estratégia de cada equipe e a administração do resultado obtido no primeiro encontro.
O ex-atacante não tratou a classificação como algo garantido, mas afirmou acreditar que o Vasco pode superar o adversário e alcançar a final. A confiança está ligada principalmente à evolução que ele enxerga no atual elenco e à possibilidade de jogar a partida decisiva no Rio de Janeiro.
Ídolos também ocupam espaço na estrutura dos clubes
O confronto também reúne dois clubes que mantêm ex-jogadores identificados com suas histórias em posições de comando. No Vasco, Pedrinho exerce a presidência, Felipe atua como diretor técnico e Luisinho Quintanilha integra a comissão técnica permanente. No Boca, Riquelme ocupa a presidência, Marcelo Delgado é diretor esportivo, Rodolfo Arruabarrena comanda a equipe e Blas Giunta participa do trabalho de formação.
Pedrinho foi revelado pelo Vasco e fez parte do grupo campeão da Libertadores de 1998. Felipe também construiu uma trajetória vitoriosa pelo clube e participa de decisões ligadas ao planejamento esportivo, à avaliação do elenco e ao acompanhamento das categorias de base. Luisinho, por sua vez, é lembrado por títulos como os Campeonatos Brasileiros de 1997 e 2000 e a Libertadores de 1998.
Do lado argentino, Riquelme chegou à presidência após ter exercido a função de vice-presidente de futebol. Delgado trabalha diretamente na organização do futebol e nas negociações, enquanto Arruabarrena, ex-lateral do Boca, assumiu o comando técnico em 2026. A presença desses nomes reforça a ligação entre a identidade histórica dos clubes e as decisões tomadas atualmente nos bastidores.
Esse componente institucional, contudo, não substitui o desempenho em campo. A semifinal será definida pelos resultados dos dois jogos, e o Vasco precisará transformar a confiança de seus ídolos em uma atuação capaz de controlar os momentos de pressão. Para Euller, aprender com os erros de 2001 é parte importante desse processo.
O principal alerta deixado pela memória daquela eliminação é a necessidade de competir desde o primeiro minuto e aproveitar as oportunidades quando atuar em casa. Desta vez, o Vasco tentará evitar que a vantagem do adversário seja construída antes da decisão no Brasil. A expectativa do ídolo é que a equipe consiga escrever um desfecho diferente no reencontro com o Boca.