A vaga do Grêmio na semifinal da Copa do Brasil não mudou a principal urgência do clube na temporada: melhorar o desempenho no Campeonato Brasileiro. O triunfo por 3 a 1 sobre o Internacional, na última quinta-feira (3), garantiu a continuidade da equipe no torneio eliminatório, mas a situação nos pontos corridos ainda exige uma resposta imediata.
O próximo compromisso será contra o Vitória, nesta segunda-feira (7), às 20h (de Brasília), no Barradão, pela 26ª rodada. Com 28 pontos, o time gaúcho chega ao confronto apenas um ponto à frente do adversário, que ocupa a 14ª posição, com 29. Vasco e Internacional, ambos com 25 pontos, abrem a zona de rebaixamento.
A proximidade entre as equipes transforma a partida em um confronto direto na parte inferior da classificação. Uma vitória em Salvador pode fazer o Grêmio abrir seis pontos de vantagem sobre a zona de descenso, considerando a pontuação dos concorrentes que iniciam a rodada nesse grupo. Por isso, o jogo ganhou peso maior no planejamento tricolor do que a repercussão imediata da classificação na Copa do Brasil.
Em entrevista ao UOL, o executivo de futebol Paulo Pelaipe afirmou que a reação no Brasileirão é a prioridade do clube. O dirigente classificou o duelo com o Vitória como uma decisão e indicou que o Grêmio precisa aproveitar a mudança no calendário para buscar maior regularidade.
Pelaipe relacionou a diferença entre as campanhas nas copas e no campeonato ao acúmulo de partidas. Durante parte da temporada, o Grêmio precisou conciliar o Brasileirão com a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana, cenário que aumentou o número de viagens e reduziu o intervalo de recuperação entre os compromissos.
O clube foi eliminado da competição continental na fase de playoffs, há pouco mais de um mês. Antes disso, a equipe teve de lidar com deslocamentos para diferentes regiões do Brasil e também para a América do Sul, além de partidas realizadas em sequência curta. Na avaliação do executivo, esse tipo de rotina afeta o rendimento dos clubes brasileiros.
O dirigente também afirmou que os elencos do país não costumam ter profundidade suficiente para sustentar três competições simultaneamente sem oscilações. A sequência de jogos aos sábados e terças-feiras ou aos domingos e quartas-feiras, combinada com viagens, foi apontada como um dos fatores que dificultaram a manutenção do desempenho no campeonato nacional.
A classificação diante do Internacional, portanto, representa um resultado importante, mas não resolve o problema esportivo mais imediato. O Grêmio ainda precisa converter a confiança obtida no clássico em pontos no Brasileirão, especialmente em uma rodada na qual enfrenta um adversário que está somente uma posição e um ponto à frente.
Direção mantém confiança em Luís Castro
Mesmo com a campanha irregular nos pontos corridos, a direção não trata a permanência de Luís Castro como uma questão em aberto neste momento. Pelaipe declarou que o clube acompanha o trabalho realizado no centro de treinamento e mantém confiança no treinador, na comissão técnica e no elenco.
O respaldo está ligado à compreensão de que o grupo ainda passa por um processo de formação. O Grêmio contratou jogadores durante a temporada, perdeu atletas e ampliou a utilização de jovens enquanto seguia envolvido em diferentes competições. A reformulação ocorreu ao mesmo tempo em que a equipe precisava disputar partidas decisivas.
Luís Castro assumiu o comando em meio a uma mudança mais ampla no futebol do clube. Para a direção, a montagem do elenco ainda está em desenvolvimento, e a equipe precisa de tempo para criar entrosamento e estabelecer uma resposta mais estável. A eliminação na Sul-Americana reduziu a quantidade de compromissos, mas a pressão por resultados no campeonato permanece.
“Ano de travessia” orienta o planejamento
Pelaipe definiu 2026 como um “ano de travessia” para o Grêmio. A expressão resume as alterações conduzidas pela gestão em áreas esportivas e financeiras, com redução da folha salarial, saída de jogadores e maior espaço para atletas formados no clube.
Segundo o executivo, a direção já esperava enfrentar dificuldades durante a transição. O desafio foi alterar a composição do grupo com a temporada em andamento, sem abandonar a disputa por objetivos relevantes. A equipe continuou competindo pela Copa do Brasil, ao mesmo tempo que precisava acumular pontos para se afastar da zona de rebaixamento.
A semifinal da Copa do Brasil oferece ao Grêmio a possibilidade de continuar em uma competição de mata-mata, mas o clube passou a concentrar sua atenção imediata no Campeonato Brasileiro. A partida contra o Vitória será a primeira oportunidade após o clássico para colocar em prática a reação defendida pela direção.
O adversário também chega sob pressão. O Vitória perdeu os quatro jogos mais recentes que disputou, considerando partidas pelo Brasileirão e pela Copa do Brasil. A sequência diminuiu a margem de segurança do time baiano, mas não elimina a dificuldade de um confronto fora de casa contra uma equipe que está diretamente envolvida na luta para escapar da parte inferior da tabela.
O resultado no Barradão terá efeito direto sobre a distância entre os dois clubes e sobre a margem do Grêmio em relação aos concorrentes. Uma vitória pode fortalecer a recuperação pretendida por Pelaipe; qualquer tropeço, por outro lado, mantém a equipe próxima da zona de rebaixamento e prolonga a pressão sobre o trabalho de Luís Castro, ainda respaldado pela direção.