A vitória do Vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio, na segunda-feira, dia 7, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou acompanhada de uma disputa pública entre os clubes. Depois da partida no Barradão, o presidente do time baiano, Fábio Mota, voltou a cobrar valores relacionados à transferência do zagueiro Wagner Leonardo e chamou o Grêmio de “caloteiro”.
Em entrevista à Rádio Sociedade, Mota afirmou que o clube gaúcho devia US$ 2,5 milhões pela negociação e disse que o Vitória já havia recorrido à Justiça. O dirigente também declarou que pretendia iniciar uma execução em novembro. A direção gremista reconhece a existência de uma pendência, mas apresenta uma versão diferente sobre o montante e sobre o estágio da cobrança.
Conforme a manifestação divulgada pelo Grêmio, o saldo em aberto é de pouco mais de US$ 1 milhão. A diferença entre os valores é o principal ponto de conflito entre as diretorias. A contratação de Wagner Leonardo foi fechada no começo de 2025 por US$ 4,5 milhões, quantia equivalente a aproximadamente R$ 26 milhões na cotação da época.
Negociação do zagueiro virou centro da disputa
Wagner Leonardo estava no banco de reservas no confronto em Salvador e é tratado como alternativa no elenco comandado por Luís Castro. O defensor, que pertencia ao Vitória antes da transferência, tornou-se o elemento central de uma cobrança que envolve parcelas do negócio e diferentes interpretações sobre as obrigações assumidas pelos clubes.
O Vitória já havia tornado pública a insatisfação em julho. Na ocasião, Fábio Mota afirmou que o clube contava com os pagamentos da venda em seu planejamento financeiro e que a falta dos recursos prejudicava o cumprimento de compromissos. A nova manifestação ocorreu após o duelo pelo Brasileirão e elevou o tom da discussão entre as instituições.
Na sexta-feira, dia 4, durante entrevista coletiva no Barradão, o presidente rubro-negro também havia usado a classificação do Grêmio na Copa do Brasil para pressionar pelo pagamento. Mota mencionou os R$ 9 milhões que o clube gaúcho receberia pelo avanço na competição e pediu que o dinheiro fosse destinado à quitação da pendência.
A origem da cobrança está ligada à forma como os pagamentos da transferência deveriam ser realizados. Segundo o relato apresentado pelo Vitória, o Grêmio deveria repassar parcelas ao Portimonense, antigo detentor dos direitos econômicos de Wagner Leonardo. Como os portugueses não teriam recebido os valores previstos, o clube acionou a Fifa, e a cobrança acabou atingindo a equipe baiana.
O Vitória chegou a sofrer um transfer ban, punição que impede o registro de novos jogadores. A restrição foi posteriormente resolvida, mas o episódio aumentou a pressão sobre o Grêmio e passou a ser citado pelo presidente do clube baiano como consequência direta do atraso nos repasses.
Grêmio nega processo específico e relata tentativa de acordo
A direção tricolor contesta a afirmação de que a dívida de Wagner Leonardo já esteja formalmente em uma execução judicial. O clube informou que não foi citado em processo relacionado especificamente ao negócio e também sustenta que o caso não está incluído no procedimento em andamento na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD.
Em informação atribuída ao Grêmio, a cobrança envolvendo o zagueiro não aparece entre os casos atualmente discutidos na entidade. O clube gaúcho também mantém um plano coletivo de credores na CNRD. Segundo a mesma versão, a cobrança apresentada pelo Vitória na Câmara no ano anterior estava relacionada à negociação do lateral Lucas Esteves, e não à transferência de Wagner Leonardo.
As diretorias chegaram a discutir uma solução alternativa durante este ano. A proposta apresentada pelo Grêmio envolvia o retorno do zagueiro ao Vitória e o pagamento de uma compensação financeira. A ideia, de acordo com o relato tricolor, foi inicialmente considerada pelo clube baiano como uma possibilidade para encerrar a pendência.
Durante as tratativas, o Vitória teria pedido uma garantia bancária formal. O Grêmio afirma que acionou seu departamento financeiro, providenciou o documento e o apresentou para dar segurança ao acordo. Ainda segundo a direção gaúcha, o clube baiano desistiu posteriormente da composição, que não chegou a ser concluída.
Os relatos disponíveis apresentam diferenças sobre os detalhes financeiros da proposta, mas coincidem em um ponto: o próprio Wagner Leonardo seria utilizado na tentativa de solucionar o impasse. Como não houve acordo definitivo, a dívida continuou sendo discutida publicamente pelas duas instituições.
Diretorias também divergem sobre presença no estádio
Fábio Mota acrescentou outra crítica após a partida. O presidente do Vitória afirmou que os dirigentes gremistas não haviam comparecido ao Barradão e que teriam permanecido no hotel, evitando um contato direto com a direção baiana.
O Grêmio rebateu a declaração e informou que o vice-presidente de futebol Rafael Lima e o executivo Paulo Pelaipe acompanharam o jogo presencialmente no estádio. A resposta foi apresentada como uma contestação à versão de que a diretoria gaúcha teria se ausentado por receio de cobranças.
Com as manifestações dos dois clubes, o episódio passou a reunir três divergências principais: o valor efetivamente pendente, a situação jurídica da cobrança e a presença dos dirigentes no Barradão. O Grêmio admite que ainda precisa pagar uma quantia ao Vitória, mas rejeita o valor de US$ 2,5 milhões citado por Fábio Mota e nega que exista, até o momento, uma execução específica já formalizada contra o clube.
A discussão mantém a negociação de Wagner Leonardo no centro da relação entre Grêmio e Vitória. Enquanto o clube baiano cobra a regularização dos repasses e relembra os efeitos que atribui ao atraso, a equipe gaúcha defende que a pendência seja tratada com base no valor que considera correto e por meio de uma solução formal entre as partes.