O Fluminense estima um impacto financeiro superior a R$ 100 milhões após a determinação do governo federal para encerrar, a partir de 6 de outubro, as operações de casas de apostas e jogos virtuais on-line no Brasil. A projeção foi apresentada pelo presidente Mattheus Montenegro, que classificou a medida como uma preocupação para o clube e para o futebol brasileiro.
O cálculo da diretoria não considera apenas a eventual perda do principal anunciante da camisa. De acordo com o dirigente, a decisão também afeta outros contratos comerciais mantidos pelo Fluminense com empresas do setor de apostas. Assim, o impacto envolve diferentes propriedades de exposição usadas pelo clube em partidas e ações de comunicação.
Contratos comerciais são atingidos em várias frentes
Entre os espaços citados por Montenegro estão as placas do campo. A publicidade instalada no estádio integra o conjunto de acordos comerciais que podem ser interrompidos com o fim das operações das marcas contratantes. O presidente não detalhou individualmente os valores de cada contrato nem informou quais empresas serão afetadas.
O uniforme é outro ponto de preocupação. O Fluminense já tem camisas confeccionadas com seis meses de antecedência e estampadas com marcas de empresas de apostas. Com a mudança determinada para outubro, o clube precisará lidar com peças produzidas para circulação e uso comercial antes da alteração no cenário regulatório.
“Aqui no Fluminense temos o impacto de mais de R$ 100 milhões com a medida, porque, além do patrocínio máster, isso também afeta contratos que a gente tem, como as placas do campo, as camisas que temos já produzidas com seis meses de antecedência. O impacto é muito grande, que preocupa muito aqui para o futuro do Fluminense”, afirmou Montenegro em entrevista à CNN.
Dirigente critica rapidez da mudança
Ao comentar a decisão, o presidente tricolor destacou o curto prazo para que clubes e empresas reorganizem seus compromissos comerciais. A avaliação apresentada por Montenegro é que a velocidade da medida dificulta a substituição de marcas, a revisão de contratos e a destinação dos materiais que já foram produzidos.
“Uma decisão que preocupa muito, não só o Fluminense, como todo o futebol brasileiro, porque, sem entrar no mérito político da medida, é uma medida que foi tomada do dia para a noite, e o impacto é muito grande”, declarou.
A fala do dirigente situa o problema em duas dimensões. A primeira é a receita futura, já que o fim das operações pode comprometer acordos ligados ao patrocínio máster e a outras áreas de publicidade. A segunda é operacional: produtos e estruturas preparados com antecedência deixam de se encaixar automaticamente no novo cenário comercial.
A estimativa de mais de R$ 100 milhões foi apresentada como uma projeção global do impacto da medida. O material disponível não informa quanto corresponde a cada contrato, se haverá multas ou compensações, nem quais alternativas o Fluminense pretende adotar para substituir as marcas nos uniformes e nas placas.
Até a data prevista para o encerramento das operações, o clube terá de avaliar a situação das propriedades comerciais associadas ao segmento e o destino das camisas já confeccionadas. Por envolver contratos distintos e materiais prontos, a reorganização não se resume à troca de um patrocinador na camisa.
O caso mostra a dimensão que as empresas de apostas alcançaram na estrutura comercial do futebol brasileiro. No Fluminense, segundo a estimativa do presidente, a mudança atinge simultaneamente receitas de patrocínio, publicidade no estádio e uniformes produzidos antecipadamente. O impacto final, porém, dependerá da execução dos contratos e das medidas que serão tomadas até o prazo estabelecido.