Fluminense enfatiza foco na vitória sobre o Palmeiras, apesar do carinho por Jhon Arias.Foto: Reprodução da Internet
O reencontro entre Jhon Arias e o Fluminense será um dos ingredientes da semifinal da Copa Libertadores. O meia-atacante colombiano, que se destacou com a camisa tricolor nas últimas temporadas, agora veste as cores do Palmeiras e enfrentará antigos companheiros no jogo de ida, marcado para esta quarta-feira (14), às 21h30 (de Brasília), no Maracanã.
Apesar da relação construída durante a passagem de Arias pelas Laranjeiras, o Fluminense adotou um discurso de competição antes do confronto. Renê, Nonato e o técnico Marcão reconheceram a importância do jogador para o clube, mas ressaltaram que o objetivo da equipe será buscar vantagem na disputa por uma vaga na decisão continental.
Respeito por Arias, mas foco total no Fluminense
Renê foi o mais direto ao falar sobre a presença do colombiano no time adversário. Em entrevista ao jornal AS, da Colômbia, o lateral-esquerdo destacou a qualidade do antigo companheiro e o carinho que ainda existe entre Arias e a torcida tricolor. Ao mesmo tempo, afirmou que o Fluminense precisará priorizar a própria camisa durante os 90 minutos.
“Vai ser um duelo duro. É um cara com muita qualidade, mas estamos aqui para honrar a camisa do Fluminense, não importa quem esteja do outro lado. Claro, o respeitamos. Os torcedores, claro, têm carinho pelo que fez aqui, mas agora é guerra. Ele está do outro lado, é salve-se quem puder”, declarou Renê, segundo o Nosso Flu.
A fala resume o ambiente esperado para a semifinal: o reconhecimento pela trajetória de Arias não deve diminuir a intensidade do duelo. O jogador deixou uma marca importante no Fluminense, mas será tratado como adversário assim que a bola rolar no Maracanã.
Nonato preferiu uma abordagem mais descontraída, embora tenha transmitido a mesma mensagem. O volante desejou sucesso ao colombiano, mas fez uma ressalva relacionada ao confronto continental: “Lhe desejo a melhor das sortes, menos contra o Fluminense”. A declaração reforça que o vínculo pessoal permanecerá, mas não terá prioridade diante da necessidade de avançar à final.
Marcão aposta na força da torcida no Maracanã
Marcão também mencionou a contribuição de Arias para a história recente do Fluminense. O treinador lembrou a amizade formada durante o período em que trabalharam juntos, mas colocou o foco na pressão que a torcida poderá exercer sobre o Palmeiras durante a partida de ida.
“É um jogador que nos deu muitas coisas boas e positivas. É um amigo, mas hoje joga pela equipe contrária, e contamos com nossa torcida para pressionar não somente ele, como toda a equipe do Palmeiras. Queremos que o Fluminense saia vitorioso no final, igual na última partida”, afirmou o técnico.
A expectativa é de que o apoio no Maracanã tenha peso especial para o Fluminense. Como mandante no primeiro encontro, o time carioca tentará construir uma vantagem antes da viagem a São Paulo. O segundo jogo está previsto para 21 de outubro, quando será definido um dos finalistas da Libertadores de 2026.
O confronto representa mais do que um reencontro individual. Fluminense e Palmeiras chegaram à semifinal depois de superarem adversários nas fases anteriores: o clube carioca eliminou o Platense, enquanto a equipe paulista passou pela LDU. Os dois times, portanto, ultrapassaram a meta estabelecida para a temporada, que era alcançar ao menos as quartas de final da competição.
Semifinal também tem impacto financeiro
Além do aspecto esportivo, a série entre brasileiros oferece uma oportunidade de reforço financeiro para os dois clubes. A classificação para a final garante ao vencedor do duelo uma premiação de 7 milhões de dólares, valor estimado em cerca de R$ 35 milhões na cotação apresentada pelo Lance!. O campeão da Libertadores receberá 25 milhões de dólares, aproximadamente R$ 125 milhões.
A premiação ganha relevância em um momento de mudanças nos acordos de patrocínio envolvendo casas de apostas. Medidas adotadas pelo governo brasileiro interromperam a exposição dessas marcas no futebol nacional, afetando receitas previstas por Fluminense e Palmeiras.
No caso do Palmeiras, o clube já havia recebido o valor fixo previsto no contrato com a Sportingbet, antiga patrocinadora máster. O acordo estabelecia R$ 100 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 170 milhões mediante o cumprimento de metas. A parceria foi mantida até o momento, e o clube paulista não pretendia colocar outra marca na parte frontal da camisa até o fim da temporada.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, afirmou que a decisão do governo surpreendeu os clubes e indicou que a instituição aguardaria novos desdobramentos para avaliar o futuro do vínculo. Segundo a declaração publicada pelo Lance!, o contrato tem validade até dezembro de 2027.
O Fluminense encontrou uma solução diferente para a área principal do uniforme. A marca Superscore passou a ocupar o espaço destinado ao patrocínio máster. A empresa é fornecedora de estatísticas da Superbet e foi apresentada como alternativa para preservar a parceria comercial.
O vínculo tricolor com a marca é válido até o fim de 2029, com R$ 53 milhões fixos por ano e até R$ 33 milhões adicionais em bonificações. O presidente Mattheus Montenegro afirmou que as mudanças provocadas pelas medidas governamentais tiveram impacto concreto e criticou a falta de previsibilidade para os clubes.
Dentro de campo, porém, o ponto central continua sendo a vaga na final. Arias conhece o ambiente do Fluminense, os jogadores e a torcida que o apoiou durante sua trajetória. O time carioca, por sua vez, terá de transformar esse conhecimento em atenção redobrada para evitar que o colombiano seja decisivo pelo Palmeiras. O carinho permanece, mas a prioridade tricolor está definida: competir pela classificação.
Para acompanhar outros detalhes do confronto, como as mudanças preparadas pelo Fluminense, veja também a análise sobre como o time se organiza para encarar o Palmeiras: Fluminense prepara mudanças importantes para a semifinal.