Fluminense enfrenta críticas por sua ineficácia ofensiva após a derrota para o Palmeiras na semifinal.Foto: Reprodução da Internet
O Fluminense deixou o Maracanã derrotado por 2 a 1 pelo Palmeiras e com uma questão central para resolver antes do segundo jogo da semifinal da Copa Libertadores: como transformar o controle da bola em perigo concreto. A equipe comandada por Marcão teve domínio territorial durante boa parte do confronto, mas não conseguiu impor a mesma superioridade no momento mais importante, o da criação e da finalização.
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A atuação foi analisada pelo jornalista Venê Casagrande no programa SBT Sports. Na avaliação apresentada, o volume tricolor não representou uma vantagem efetiva porque o Palmeiras conseguiu proteger sua área, suportar a pressão e atacar os espaços deixados pelo adversário. O resultado, portanto, recolocou em discussão a diferença entre posse de bola e controle real de uma partida.
O Fluminense terminou o jogo com aproximadamente 75% de posse de bola, segundo a análise de Venê. O dado mostra a frequência com que o time esteve com a bola, mas não explica sozinho o desempenho ofensivo. Para o comentarista, a equipe circulou o jogo sem encontrar soluções suficientes para transformar a presença no campo de ataque em oportunidades claras.
A crítica foi resumida na expressão “posse de bola estéril”. O termo não significa que o Fluminense tenha sido completamente inofensivo ou que não tenha controlado trechos importantes do confronto. A avaliação é de que esse controle teve pouca consequência prática, já que não produziu um número de chances compatível com a vantagem territorial exibida.
Esse foi o principal contraste apontado depois da partida. O Fluminense teve mais tempo para construir suas jogadas, enquanto o Palmeiras, mesmo com menos bola, conseguiu fazer com que suas ações ofensivas fossem mais incisivas. A equipe carioca precisou trabalhar contra uma defesa organizada e encontrou dificuldades para acelerar a circulação, romper linhas e concluir as jogadas com precisão.
Na leitura de Venê Casagrande, o Palmeiras entrou em campo preparado para atuar em transição ofensiva. A estratégia de Abel Ferreira previa resistência sem a bola e aproveitamento dos espaços que surgissem quando o Fluminense avançasse seus jogadores. Não se tratava de disputar a partida pelo volume de posse, mas de fazer com que cada recuperação tivesse potencial para gerar uma chegada perigosa.
O comentarista reconheceu que esse modelo pode não produzir um jogo considerado bonito por todos, mas avaliou que ele foi adequado ao cenário encontrado no Maracanã. O Palmeiras conseguiu neutralizar parte das iniciativas tricolores e foi mais eficiente quando teve a oportunidade de atacar. Por esse motivo, a vitória por 2 a 1 foi considerada justa dentro da proposta executada pela equipe paulista.
A análise não elimina o mérito do Fluminense por ter mantido a iniciativa em vários momentos. O problema está na distância entre a intenção e a execução. Ter a bola permitiu ao time carioca ocupar o campo ofensivo, mas não garantiu espaços por dentro, passes decisivos ou finalizações em condições ideais. O Palmeiras, por sua vez, aceitou passar mais tempo sem a posse para preservar a organização e buscar o resultado.
O cenário coloca o setor ofensivo no centro das decisões de Marcão para a partida de volta. O Fluminense precisará manter capacidade de pressionar, mas também deverá encontrar formas de acelerar as jogadas quando o Palmeiras estiver recuado. A posse, sozinha, não será suficiente para mudar a desvantagem construída no primeiro encontro.
A equipe terá de melhorar a qualidade do último passe e das finalizações, além de ocupar melhor os espaços próximos à área. A pressão precisa resultar em chances reais, e não apenas em uma sequência prolongada de passes laterais ou cruzamentos sem destinatário. Esse ajuste é especialmente importante porque o Palmeiras já demonstrou que se sente confortável em um jogo no qual pode defender e sair rapidamente.
Ao mesmo tempo, a busca pelo resultado exigirá cuidado nas perdas de bola. Se o Fluminense adiantar muitos jogadores e não proteger a região central, poderá oferecer ao adversário exatamente o tipo de espaço que favorece as transições. O desafio será combinar agressividade para atacar com equilíbrio suficiente para impedir que o Palmeiras amplie a vantagem.
Decisão permanece aberta
O revés no Maracanã não encerrou a disputa pela vaga na final. O segundo confronto está marcado para a quarta-feira, dia 21, em São Paulo. Para avançar diretamente, o Fluminense precisará vencer por dois ou mais gols de diferença. Caso ganhe por apenas um gol, a classificação será decidida nos pênaltis. Empate ou novo triunfo palmeirense garantirá a equipe paulista na decisão.
A margem de reação deixa claro o tamanho da tarefa. O Fluminense não precisa necessariamente abandonar o estilo de controlar a bola, mas terá de dar outra finalidade a esse controle. A posse poderá ser uma ferramenta importante para empurrar o Palmeiras para trás, desde que venha acompanhada de movimentação, infiltrações e conclusões capazes de ameaçar o gol.
O Palmeiras chega ao jogo decisivo com a vantagem e com a possibilidade de repetir uma postura baseada na proteção defensiva e nos ataques rápidos. Ao Fluminense caberá provar que consegue transformar superioridade territorial em produção ofensiva. A derrota por 2 a 1 expôs a falha; os 90 minutos seguintes oferecerão a oportunidade de corrigi-la.