A presença da família Neymar no Santos deixou de estar restrita ao desempenho do camisa 10 em campo. Desde o retorno do atacante ao clube, Neymar e seu pai passaram a participar de conversas por reforços, operações financeiras, acordos comerciais e discussões sobre a estrutura santista.
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O alcance dessa influência aparece com mais clareza na montagem do elenco. Philippe Coutinho e Arthur Melo chegaram ao clube após movimentos que tiveram participação direta ou indireta da família. A diretoria, no entanto, continuou responsável por formalizar os contratos e pelas decisões jurídicas e financeiras.
De acordo com reportagem do ge, a negociação de Coutinho começou a partir de um desejo manifestado por Neymar. O meia, que estava sem atuar havia quase oito meses, desembarcou na Baixada Santista em um avião da NR Sports, empresa ligada aos pais do atacante.
O caso de Arthur teve uma participação ainda mais direta do jogador. Segundo informação publicada pelo Terra, o volante recebeu uma ligação de Neymar antes de aceitar a proposta santista. O contato foi confirmado pelo próprio Arthur, que ouviu do camisa 10 a possibilidade de defender o Peixe. Depois da conversa, a diretoria conduziu e oficializou o acordo.
Neymar também tornou pública sua preferência por alguns nomes. Ao comentar o planejamento do clube, citou Gabriel Barbosa, Arthur e Coutinho. Sobre o meia-atacante, afirmou que sua contratação era um sonho. A indicação, porém, não significou que o jogador tivesse poder formal para concluir qualquer negócio.
A influência ganhou uma dimensão adicional por causa da relação financeira entre o Santos e a NR Sports. Conforme apuração do ge, o clube acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 90 milhões com a empresa pela exploração da imagem de Neymar nos primeiros seis meses do contrato de retorno.
O débito foi parcelado até meados de 2033, com pagamentos mensais próximos de R$ 1 milhão. Ainda segundo o veículo, o Santos desembolsou R$ 11 milhões no meio do ano para amortizar a dívida. Parte desse valor teria vindo da venda do jovem Luca Meirelles ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, realizada no ano anterior.
Essa relação reduz a margem de negociação do clube com o principal jogador do elenco e sua família. O ge relata que o pai de Neymar tolerou pedidos de parcelamento e acompanha de perto assuntos considerados sensíveis para a diretoria.
Em outra frente, o Terra informou que a NR Sports ajudou o Santos a quitar uma pendência com o Monaco relacionada à contratação de Jean Lucas. O débito havia provocado um transfer ban da Fifa, restrição que impedia o registro de novos atletas. Com a obrigação resolvida, o clube recuperou a possibilidade de avançar na janela.
As duas operações mostram que a participação da empresa não se limita à exploração comercial da imagem de Neymar. A NR Sports também passou a aparecer em soluções que impactam diretamente a capacidade do Santos de contratar e registrar jogadores.
Marca, estádio e espaços para convidados
A aproximação também está visível no uniforme. A marca relacionada a Pelé passou a ser administrada pela NR Sports, cujo logotipo ocupa a barra frontal da camisa santista. Nas costas, aparece a marca do Instituto Projeto Neymar Jr.
O acordo envolvendo os espaços comerciais se relaciona à ajuda financeira prestada pela empresa para resolver a pendência que mantinha o clube sob transfer ban, conforme a apuração do ge. A presença das marcas transforma o uniforme em uma das contrapartidas da relação entre Santos e família Neymar.
Na Vila Belmiro, o pai do atacante comandou reformas no vestiário, que recebeu novos ambientes e uma porta blindada. A família também participou da modernização do espaço reservado a parentes de jogadores e ídolos do clube.
O local fica atrás de um dos gols e tem capacidade aproximada para 500 pessoas. Em dias de jogo, recebe familiares dos atletas, com 160 ingressos, e ídolos eternos do Santos, contemplados com 25 entradas. A alimentação oferecida aos convidados é custeada pela família em parceria com empresas privadas.
Como contrapartida, a NR Sports pode utilizar uma sala para reuniões, eventos e recepção de convidados. A estimativa informada pelo ge é de que a empresa consiga receber cerca de 300 pessoas por partida. Neymar também dispõe de um camarote acima das tribunas de imprensa para familiares e amigos quando acompanha os jogos.
Projetos de estádio seguem sem avanço
O pai de Neymar também participou de conversas sobre o futuro patrimonial do Santos. Ele acompanhou discussões sobre a proposta não vinculante da SDC Sports e sobre o acordo, hoje paralisado, entre o clube e a WTorre para a construção de uma nova Vila Belmiro. Em determinado momento, chegou a apresentar outras áreas como alternativas para um estádio.
No ano passado, o Santos teve sinal verde de Leila Pereira e da WTorre para disputar uma partida no Nubank Parque, mas o estafe de Neymar rejeitou a possibilidade, e o clube desistiu do acordo.
Em junho do ano passado, Neymar pai e o presidente Marcelo Teixeira anunciaram a construção de um centro de treinamentos em Praia Grande e de uma miniarena. A proposta previa que o Santos mandasse jogos no local. O empresário também esteve ligado à chegada de uma empresa responsável por uma nova estrutura de alojamento para as categorias de base no CT Rei Pelé.
O plano, contudo, não avançou. Segundo o ge, o projeto está parado e se tornou alvo de inquérito do Ministério Público de São Paulo por causa da área prevista, situada no entorno do Parque Estadual Xixová-Japuí, região de preservação ambiental.
Com a nova arena e o complexo de Praia Grande sem evolução, a modernização da Vila Belmiro passou a concentrar os esforços do clube. A diretoria conduz atualmente a reestruturação do estádio, enquanto intervenções anteriores feitas pela família já haviam alterado espaços usados pelo elenco e pelos torcedores convidados.
No futebol, o Santos tem apenas o Campeonato Brasileiro pela frente após a eliminação na Copa Sul-Americana. A folha salarial está estimada em cerca de R$ 30 milhões, cenário que ajuda a explicar a importância das soluções financeiras e das articulações externas para a formação do elenco.
O pai de Neymar não declarou intenção pública de comprar o controle acionário do Santos nem apresentou investidores para essa finalidade. A influência, portanto, ocorre por meio de contatos, indicações, operações da NR Sports e participação em projetos do clube. A diretoria segue responsável pelas decisões oficiais, mas a relação tornou a família uma interlocutora relevante no planejamento esportivo, financeiro e estrutural do Peixe.