O Santos anunciou nesta quinta-feira, 27 de agosto, a quitação da dívida com o Monaco, da França, relacionada à contratação do volante Jean Lucas. O pagamento, estimado em cerca de R$ 12 milhões, retirou o clube da lista de transfer ban da Fifa e devolveu ao Peixe a possibilidade de contratar e registrar jogadores.
A operação contou com o apoio da NR Sports, empresa administrada pela família de Neymar. Segundo o Santos, a companhia viabilizou um aporte imediato de recursos para que a pendência fosse resolvida. Em troca, o clube e a empresa negociarão em conjunto propriedades ainda disponíveis no uniforme santista para futuros acordos comerciais.
O bloqueio havia sido aplicado pela Fifa no início de julho, após a cobrança do Monaco pelo valor referente à transferência de Jean Lucas. Com a dívida em aberto, o Santos ficou impedido de inscrever novos atletas até solucionar o caso com o clube francês.
Jean Lucas foi contratado pelo Santos em 2023, em uma negociação com o Monaco. O meio-campista, porém, não faz mais parte do elenco alvinegro. O jogador deixou a equipe após o rebaixamento santista no Campeonato Brasileiro de 2023 e foi negociado com o Bahia no ano seguinte.
A saída do atleta não eliminou a obrigação financeira assumida pelo Santos na operação. A dívida permaneceu como um problema administrativo e esportivo até o acordo anunciado nesta semana. As fontes consultadas apontam para um débito de aproximadamente 2 milhões de euros, equivalente a cerca de R$ 12 milhões na cotação mencionada.
Com a quitação, o clube informou que está novamente apto a atuar no mercado da bola. A retirada do bloqueio permite que eventuais contratações sejam registradas nas competições, algo que estava impedido enquanto a sanção permanecesse ativa.
O transfer ban é uma punição que impede o registro de novos jogadores. A medida não impede o clube de disputar partidas, mas limita a formação do elenco ao grupo já inscrito e aos atletas que podem ser utilizados dentro das regras de cada competição. Por isso, a resolução da dívida era necessária antes de qualquer reforço ser oficialmente regularizado.
NR Sports terá espaço no uniforme
O auxílio financeiro foi formalizado com uma contrapartida comercial. De acordo com a nota divulgada pelo Santos, o clube e a NR Sports negociarão conjuntamente propriedades do uniforme que ainda não foram comercializadas. O comunicado não detalhou quais espaços serão trabalhados, nem informou valores ou prazo para eventuais contratos com novas empresas.
A participação da empresa da família de Neymar conecta a solução financeira a uma relação comercial que ainda será desenvolvida. As informações disponíveis confirmam o aporte imediato usado para quitar o débito, mas não apresentam detalhes sobre o formato final dos negócios envolvendo a camisa santista.
O Santos também não divulgou, nas informações utilizadas na apuração, a divisão dos recursos nem as condições específicas acertadas com a NR Sports. O ponto confirmado pelo clube é que o apoio permitiu o pagamento da pendência com o Monaco e a consequente liberação para voltar a registrar atletas.
Arthur aparece como possibilidade
A liberação do sistema da Fifa abriu espaço para que o Santos avance em negociações no mercado. O UOL informou que o clube se movimenta pela contratação do volante Arthur, de 30 anos, que está livre depois de rescindir o vínculo com a Juventus, da Itália.
Segundo o veículo, Santos e Arthur têm um acordo verbal. A negociação também teria contado com a intermediação de Neymar, que mantém amizade pessoal com o jogador. Até o material disponível, porém, não havia confirmação oficial do acerto, da assinatura do contrato ou da inscrição do atleta pelo clube.
Arthur passou por um período de empréstimo ao Grêmio antes de deixar a Juventus. Conforme as informações publicadas pelo UOL, ele disputou dez partidas do Campeonato Brasileiro pelo clube gaúcho e fez sua última partida profissional em 30 de maio, na derrota por 3 a 1 para o Corinthians, em Porto Alegre.
O técnico Cuca já havia comentado sobre o meio-campista após a derrota do Santos por 3 a 0 para o Palmeiras, no Nubank Parque, pela partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Na ocasião, o treinador elogiou Arthur, mas ponderou que o clube precisava priorizar o pagamento dos salários antes de concretizar novas contratações.
A declaração ocorreu quando o transfer ban ainda estava em vigor. Cuca afirmou que Arthur era um grande jogador, mas ressaltou a necessidade de melhorar o elenco existente e manter os compromissos financeiros em dia. Com a dívida quitada, a restrição que impedia o registro de reforços foi retirada, embora o eventual negócio com o volante ainda dependesse da formalização das partes.
Santos volta ao mercado
A solução do débito muda a margem de atuação do Santos no restante da temporada. Enquanto o bloqueio estava ativo, qualquer contratação ficava condicionada ao pagamento da dívida e à atualização do cadastro do clube perante a Fifa. Agora, a diretoria pode concluir negociações e buscar alternativas para o elenco dentro das regras de inscrição das competições.
A retirada do transfer ban, no entanto, não representa automaticamente a chegada de novos jogadores. O clube ainda precisa acertar contratos, cumprir exigências de registro e avaliar os custos das operações. No caso de Arthur, as informações disponíveis indicam um entendimento verbal, mas não confirmam a conclusão da contratação.
O episódio também expõe o impacto financeiro de compromissos assumidos em transferências anteriores. Mesmo depois da venda de Jean Lucas ao Bahia, a pendência com o Monaco continuou afetando o planejamento santista. O aporte da NR Sports permitiu resolver o problema imediato e retirar o impedimento imposto pela entidade máxima do futebol.
Com o caminho administrativo desbloqueado, o Santos passa a concentrar a atenção na montagem do elenco e na condução das negociações que estavam limitadas pela punição. A primeira consequência confirmada é a volta do clube ao mercado; os próximos reforços dependerão dos acordos que forem efetivamente oficializados.