Eduardo Baptista começou a reformulação do Internacional com uma decisão clara para o setor ofensivo: a equipe deverá voltar a atuar com um centroavante de referência. Apresentado como novo técnico do Colorado, o treinador apontou a presença de um camisa 9 e a ocupação mais agressiva da área como caminhos para tentar melhorar o desempenho de um dos piores ataques do Campeonato Brasileiro.
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O Inter chega à reta final da competição na 18ª colocação, com 28 pontos e 30 gols marcados em 28 rodadas. Restam dez partidas para a equipe reagir e deixar a zona de rebaixamento. Nesse cenário, Baptista aproveita a pausa do calendário para trabalhar mudanças que vão além da troca de peças: a intenção é alterar a maneira como o time constrói e conclui as jogadas.
Alerrandro ganha espaço durante a Data Fifa
A ausência de Tonny Sanabria, convocado pela seleção do Paraguai, abre espaço para Alerrandro ser observado com maior atenção nos treinamentos. O atacante foi um dos primeiros jogadores procurados pelo novo comandante e aparece como alternativa para assumir a função enquanto o paraguaio estiver fora.
Baptista reconheceu que Alerrandro ainda precisa recuperar ritmo de jogo, mas afirmou que o jogador está em boas condições físicas. O trabalho específico tem concentrado exercícios de finalização e movimentos para atacar os espaços da defesa adversária.
“Ninguém desaprende a fazer gol”, declarou o técnico ao citar a temporada em que o atacante marcou 30 gols pelo Vitória. A fala resume a aposta da comissão técnica: recuperar a confiança e a participação de Alerrandro em uma equipe que passou boa parte do segundo semestre sem uma referência fixa no ataque.
O treinador também indicou que Sanabria e o jovem João Bezerra estão entre as opções para a posição. A definição, porém, dependerá do desempenho nos treinos e da formação escolhida para a retomada do campeonato.
Inter deve mudar a forma de atacar
A proposta de Baptista não se resume à presença de um jogador centralizado. O técnico quer aumentar o número de atletas próximos ao gol adversário, especialmente quando a bola chegar pelos lados. A orientação é que os alas participem da construção e que meias e volantes acompanhem as jogadas para disputar cruzamentos e rebotes.
Em entrevista durante sua apresentação, o treinador explicou que o centroavante deve cumprir mais de uma função: oferecer uma referência para os cruzamentos, incomodar os zagueiros e retirar o conforto da defesa adversária. A mudança procura dar maior objetividade a um ataque que encontrou dificuldades para transformar posse e movimentação em gols.
Nas dez rodadas mais recentes do Brasileirão, o Inter começou sete partidas sem um centroavante de origem. Alan Patrick chegou a desempenhar funções próximas às de um falso 9, enquanto Vitinho, Carbonero e Bernabei também foram utilizados em posições avançadas. Alerrandro e Sanabria tiveram menos sequência como titulares nesse período.
Borré era a principal referência do setor no começo da temporada e deixou o clube como artilheiro da equipe, com nove gols. Alerrandro marcou quatro vezes quando foi utilizado como alternativa. Depois da saída do colombiano para o River Plate, a equipe modificou a estrutura ofensiva, mas não encontrou uma solução estável para ocupar a área.
Esquema com três zagueiros é testado
Além da mudança no ataque, os treinamentos indicam a possibilidade de o Internacional atuar com três zagueiros e alas mais avançados. Gabriel Mercado e Maripán aparecem como nomes mantidos na estrutura defensiva, enquanto Juninho e Félix Torres são alternativas para completar o setor. Victor Gabriel não está disponível por suspensão, de acordo com a programação de treinamentos citada na apuração.
Nesse desenho, Bernabei deve deixar a posição mais avançada que ocupava anteriormente e atuar como ala pela esquerda. Vitinho é uma das opções para o outro lado. A ideia é aproveitar a largura do campo sem transformar o argentino em um atacante, mantendo-o em uma função de chegada e apoio.
Alan Patrick também tende a ganhar liberdade. O camisa 10 deve atuar atrás dos atacantes, ao lado de outro meia ofensivo, com menos responsabilidade de acompanhar individualmente os jogadores adversários. Carbonero aparece como possibilidade para formar essa dupla, embora Vitinho também possa ser utilizado na função.
O modelo ainda está em fase de preparação e não representa uma escalação definitiva. A comissão técnica tem duas semanas de trabalho durante a pausa para ajustar o posicionamento, avaliar as opções disponíveis e definir como distribuirá as responsabilidades entre defesa, meio-campo e ataque.
Primeiro teste será contra o Corinthians
O novo trabalho terá seu primeiro compromisso oficial em 7 de outubro, quando o Inter receberá o Corinthians no Beira-Rio, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida está marcada para 19h30, no horário de Brasília.
Até lá, Baptista terá de decidir se Alerrandro será o centroavante escolhido ou se outra alternativa ocupará a posição. Também precisará definir a composição da linha de três defensores e a dupla de meias que atuará atrás do atacante.
O duelo será o primeiro teste prático da ideia apresentada pelo treinador: um Inter com mais presença na área, alas participativos e aproximação dos jogadores de meio. Em uma equipe que soma apenas 30 gols no campeonato e está na zona de rebaixamento, a mudança precisa resultar não apenas em um novo desenho, mas em maior capacidade de criar e concluir oportunidades.