O Internacional prepara uma mudança clara na forma de atacar para a estreia de Eduardo Baptista. Nesta quarta-feira (7), às 19h30, no Beira-Rio, o Colorado enfrenta o Corinthians com a proposta de colocar mais jogadores em zonas próximas ao gol e ampliar as alternativas de finalização.
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A principal alteração está na participação dos alas. Bernabei deverá ter liberdade para avançar pelo corredor esquerdo, enquanto Aguirre será responsável por dar profundidade ao lado direito. No centro do ataque, Alerrandro aparece como o camisa 9 escolhido para ocupar a área e disputar espaço com os zagueiros.
O plano representa uma tentativa de tornar a construção ofensiva menos previsível. Em vez de concentrar a produção pelo meio ou depender de ações individuais, o Internacional pretende usar a largura do campo para criar situações de cruzamento, passe para trás e infiltração. A equipe também deverá aproximar mais atletas do centroavante durante as jogadas.
Alas terão papel central no novo desenho
Bernabei é um dos jogadores que recebem uma função mais agressiva no modelo preparado pelo treinador. Quando o argentino chegar ao fundo, a orientação é que o time já tenha presença suficiente na área para transformar o avanço em oportunidade de conclusão.
Em uma das movimentações trabalhadas por Baptista, Alan Patrick, Vitinho, Aguirre e Alerrandro devem ocupar posições ofensivas quando Bernabei progredir pela esquerda. A formação cria opções distintas para o portador da bola: o passe pode encontrar o centroavante, um jogador chegando de trás ou alguém atacando o espaço aberto pela defesa.
A presença de Aguirre nesse cenário também amplia a ocupação do setor ofensivo. Além de atuar pelo corredor direito, o jogador pode aparecer dentro da área ou em zonas próximas dela, dependendo do lado por onde a jogada for construída. Sua utilização está ligada à capacidade física e à disposição para percorrer o campo em diferentes momentos.
O avanço dos dois alas, porém, exige compensações. Thiago Maia e Juninho terão responsabilidades na cobertura do lado esquerdo, especialmente quando Bernabei abandonar a linha defensiva para participar da construção. O posicionamento dos dois será importante para impedir que o espaço nas costas do lateral fique aberto em caso de perda da posse.
Alerrandro muda a referência do ataque
A escolha de Alerrandro como centroavante atende a uma característica que Eduardo Baptista considera necessária para o funcionamento do modelo. O treinador quer um atacante capaz de enfrentar os zagueiros, atacar espaços e permanecer como alvo dentro da área.
“Nosso modelo exige um 9 para brigar com zagueiro, atacar espaço, tirar conforto do adversário”, explicou Baptista.
Com uma referência central, o Internacional passa a ter uma alternativa mais direta quando não conseguir avançar por meio de trocas curtas. A bola pode ser direcionada ao camisa 9, que terá a função de disputar o lance e dar continuidade à jogada. Se o ataque vier pelos lados, Alerrandro também será o principal alvo dos cruzamentos e dos passes realizados a partir da linha de fundo.
A presença do centroavante ainda interfere no comportamento de Alan Patrick e Vitinho. Os dois poderão circular ao redor de Alerrandro, ocupando espaços entre os defensores e participando das sobras. Assim, a equipe não dependerá de que o camisa 9 resolva sozinho cada jogada: a intenção é criar aproximações para que os meias aproveitem os deslocamentos da última linha.
O objetivo, portanto, não é simplesmente aumentar o número de bolas alçadas à área. A mudança prevê uma ocupação mais organizada do setor ofensivo, com jogadores preparados para receber, finalizar ou disputar a segunda bola. A presença simultânea de atletas em diferentes zonas também pode dificultar a marcação do Corinthians, desde que os movimentos sejam coordenados.
Pressão após a perda será parte do plano
Uma equipe que avança os alas e coloca mais jogadores no campo de ataque precisa estar preparada para o momento em que perde a bola. Para reduzir esse risco, Baptista trabalha o conceito de “atacar marcando”, baseado na reação imediata após erros de passe ou desarmes.
A ideia é que o Internacional tente recuperar a posse antes de o Corinthians conseguir organizar um contra-ataque. Os jogadores mais próximos da bola deverão pressionar o adversário, enquanto os atletas posicionados atrás da jogada precisam fechar os espaços disponíveis para a saída rápida.
Nesse mecanismo, Thiago Maia e Juninho não serão apenas responsáveis por proteger o lado esquerdo. A dupla também terá de oferecer sustentação ao restante da equipe, mantendo uma estrutura capaz de lidar com as subidas de Bernabei e com a movimentação de Aguirre. O equilíbrio entre a presença ofensiva e a cobertura será um dos pontos decisivos do plano.
Depois de duas semanas de treinamentos, o duelo no Beira-Rio será o primeiro teste oficial do modelo de Eduardo Baptista. A partida permitirá observar se o Colorado conseguirá transformar a maior presença na área em chances reais e, ao mesmo tempo, evitar que a postura ofensiva exponha a defesa.
A estreia também servirá para avaliar a adaptação às novas funções. Bernabei terá mais liberdade para atacar, Aguirre deverá percorrer o corredor direito, Alerrandro será a referência central e Alan Patrick e Vitinho ganharão espaço para se movimentar ao redor do centroavante. O funcionamento desse conjunto definirá como o Internacional se comportará diante do Corinthians e indicará os ajustes necessários para a sequência do trabalho do novo treinador.