Dorival Júnior enfatizou a importância de proteger o elenco dos problemas políticos e financeiros do São Paulo.Foto: Reprodução da Internet
O empate por 1 a 1 com o Mirassol, no Estádio José Maria de Campos Maia, teve um significado que foi além do ponto somado pelo São Paulo na tabela. Depois da partida pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, Dorival Júnior destacou o trabalho feito para impedir que os problemas políticos e financeiros do clube interferissem na rotina do elenco. Para o treinador, a proteção do ambiente interno foi determinante para que o grupo mantivesse o foco durante um período de dificuldades.
O resultado deixou o São Paulo na nona colocação, com 43 pontos. A equipe perdeu a oportunidade de alcançar a terceira vitória consecutiva, depois dos triunfos sobre Vasco e Vitória, mas conseguiu sair de uma situação adversa no interior paulista. O Mirassol abriu o placar no começo do confronto, pressionou em boa parte da etapa inicial e criou outras oportunidades antes do intervalo. Ainda assim, o time tricolor encontrou forças para buscar a igualdade.
Na entrevista coletiva após o jogo, Dorival afirmou que sua preocupação diária é manter o funcionamento do centro de treinamento separado das questões externas. O técnico explicou que, além das tarefas relacionadas à preparação tática e às escolhas da equipe, precisou exercer uma função de gestão para evitar que o ambiente do clube contaminasse os jogadores.
O treinador declarou que não permite que os assuntos se misturem e ressaltou que o São Paulo conseguiu novamente blindar o elenco. A avaliação foi feita em tom realista: Dorival reconheceu que o cenário está longe do ideal, mas considerou importante o esforço coletivo para preservar o rendimento dentro de campo. Segundo ele, esse cuidado também havia sido necessário em outro momento citado na entrevista, diante do Corinthians.
A manifestação do comandante ocorreu em uma partida na qual o São Paulo precisou lidar com ausências importantes no setor ofensivo. Artur e Calleri, apontados como referências do ataque, não participaram do duelo por problemas físicos. Sem a dupla, o time teve mais dificuldades para construir jogadas no início, mas conseguiu reagir antes do intervalo.
O Mirassol saiu na frente aos seis minutos. Reinaldo cruzou para a área, Neto Moura cabeceou e a bola tocou no goleiro Rafael antes de entrar. O lance foi registrado como gol contra do são-paulino. A vantagem aumentou o volume da equipe mandante, que continuou ameaçando e encontrou resistência nas defesas do goleiro tricolor.
O São Paulo, porém, aproveitou uma de suas primeiras oportunidades mais claras para empatar. Aos 38 minutos, Bobadilla fez o passe rasteiro, e Pedro Lima apareceu para finalizar. O gol recolocou a equipe na partida antes do intervalo e evitou que o domínio inicial do Mirassol se transformasse em uma vantagem maior.
Na segunda etapa, o confronto ficou mais equilibrado. Os dois times buscaram o segundo gol, mas não conseguiram transformar as chances em uma nova mudança no placar. A melhor oportunidade são-paulina veio aos 16 minutos, quando Lucas Moura acertou a trave. Do outro lado, o Mirassol também tentou recuperar a vantagem, mas encontrou dificuldades para superar novamente a defesa visitante.
A atuação explica por que Dorival valorizou a dedicação dos jogadores. O São Paulo não apresentou controle absoluto do jogo e foi pressionado em determinados momentos, mas conseguiu evitar a derrota mesmo sem dois dos seus principais atacantes. A reação também manteve a equipe em uma posição relativamente confortável na tabela, a dois pontos da marca de 45, historicamente associada ao afastamento do risco de rebaixamento, embora essa referência não represente uma garantia matemática em todos os cenários.
Recado por uma reestruturação
Além de comentar a administração do ambiente interno, Dorival fez uma avaliação sobre o lugar ocupado atualmente pelo São Paulo no futebol brasileiro. O treinador afirmou que o clube precisa se preparar melhor para voltar a disputar os principais títulos nacionais. Na visão dele, existem quatro equipes tratadas como referências no país, e o Tricolor precisa avançar em sua estrutura para reduzir essa distância competitiva.
O comentário conecta o resultado de campo a uma cobrança de médio e longo prazo. O ponto conquistado em Mirassol ajuda a sustentar a campanha, mas não elimina a necessidade de mudanças apontada pelo treinador. A fala também mostra que, para Dorival, a blindagem do elenco é uma medida necessária para atravessar o momento, não uma solução definitiva para os problemas do clube.
Com 43 pontos, o São Paulo terá o Bahia como próximo adversário. O confronto está marcado para quarta-feira, dia 28, na Arena Fonte Nova, em Salvador. A equipe buscará retomar a sequência de vitórias e transformar o empate fora de casa em um resultado útil na reta final do campeonato. O Mirassol, com 37 pontos e na 14ª posição, voltará a campo na sexta-feira, dia 30, contra o Corinthians, na Neo Química Arena.
O desempenho diante do Mirassol reforça o papel que o elenco precisará exercer nas rodadas seguintes. Sem contar com todas as suas opções ofensivas, o São Paulo precisou competir, suportar a pressão adversária e encontrar uma resposta durante a partida. Para Dorival, preservar essa capacidade de reação depende também de manter o grupo protegido das turbulências que cercam o clube.
O empate, portanto, não foi tratado pelo treinador apenas como uma perda de dois pontos em relação à vitória. A leitura apresentada após o apito final foi a de que o time conseguiu manter a estabilidade em um cenário adverso. A cobrança por evolução estrutural permanece, mas a comissão técnica considera que o grupo mostrou disposição para seguir concentrado na competição.