A ausência de Neymar na derrota do Santos por 3 a 0 para o Palmeiras, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, tornou-se um dos principais assuntos após a partida disputada na quarta-feira (26), no Nubank Parque. Relacionado inicialmente, o atacante não acompanhou a delegação e ficou fora do confronto. Depois do resultado, o técnico Cuca explicou que a decisão partiu da comissão técnica e não do jogador.
Segundo o treinador, o clube avaliou a necessidade de controlar a carga física de Neymar diante de uma sequência de compromissos importantes. O Santos temia submeter o camisa 10 a uma série pesada de partidas em curto intervalo, especialmente com jogos previstos para domingo e para a quarta-feira seguinte.
“Foi o tal do controle de carga, ele não poder ter uma sequência, poder desenvolver o futebol dele ao natural, jogando hoje, jogando domingo que vem, jogando na quarta que vem”, afirmou Cuca na entrevista coletiva. O técnico também disse que Neymar estava disposto a atuar e que, por ele, teria viajado para o duelo contra o Palmeiras.
A comissão técnica também levou em consideração as características do local da partida. O gramado sintético do estádio palmeirense foi citado por Cuca como um dos elementos analisados antes da decisão final. O possível desgaste físico provocado pelo jogo e a sequência de compromissos completaram a avaliação feita pelo clube.
Outro ponto mencionado foi a situação disciplinar do atacante. Neymar tinha dois cartões e poderia ficar mais próximo de uma suspensão caso recebesse nova advertência. Para Cuca, a preservação não foi motivada por um único aspecto, mas por um conjunto de circunstâncias relacionadas ao planejamento da temporada.
“Ele estava relacionado porque até o último momento a gente ficou discutindo a vinda dele ou não, o gramado sintético, o desgaste, o risco de perda, a importância dos jogos que vêm, segundo cartão”, explicou o técnico. Cuca acrescentou que a responsabilidade pela escolha era da comissão técnica e que o jogador deveria ser poupado de qualquer cobrança sobre a decisão.
O treinador também declarou que não se arrependeu de não ter levado Neymar ao estádio. Ao mesmo tempo, reconheceu que a equipe sente a falta do atacante. A avaliação foi feita depois de o Santos perder por três gols de diferença no primeiro encontro com o Palmeiras pelas quartas de final da competição nacional.
Cuca assume responsabilidade pelo resultado
Além da ausência de Neymar, Cuca foi questionado sobre o desempenho santista no clássico. O Palmeiras venceu por 3 a 0, resultado que obriga o Santos a buscar uma vantagem de quatro gols no jogo de volta, na Vila Belmiro, para avançar diretamente à próxima fase da Copa do Brasil.
O treinador criticou a postura apresentada pela equipe em uma partida decisiva e cobrou mais intensidade dos jogadores nos compromissos eliminatórios. Na entrevista, afirmou que o time precisava atuar com mais espírito e disposição em confrontos desse peso.
Cuca também assumiu a maior parcela da responsabilidade pela derrota. O técnico disse que as críticas da torcida santista eram justificadas diante do placar e reconheceu que os jogadores tiveram participação no resultado, mas colocou sobre si a principal responsabilidade pelo desempenho apresentado no clássico.
A cobrança do treinador ocorre em um momento de pressão esportiva para o Santos na Copa do Brasil. A equipe terá de reverter uma desvantagem expressiva no segundo jogo, enquanto tenta reorganizar o time após uma atuação considerada insuficiente pela própria comissão técnica.
Debate sobre a comunicação do clube
A explicação de Cuca também gerou discussão entre comentaristas do UOL News Esporte. Walter Casagrande avaliou que o episódio expôs falta de transparência na comunicação do Santos sobre a ausência de Neymar. Na leitura do comentarista, a situação poderia ter sido apresentada de forma mais direta desde o início, com o clube assumindo que a escolha havia sido feita internamente.
Casagrande considerou que Cuca pareceu surpreso ao ser questionado sobre o tema e relacionou essa impressão ao fato de o atacante ter publicado que a decisão de não jogar havia sido da comissão técnica. A análise do colunista não altera a versão apresentada pelo treinador, mas mostra que a forma como o caso foi comunicado passou a ser discutida além do aspecto físico.
Julio Gomes também apontou desconforto na condução do episódio. Para o comentarista, existe uma contradição entre tratar Neymar como um jogador fundamental e deixá-lo fora até mesmo do banco de reservas. Ele reconheceu que a preservação pode ser compreensível diante do calendário, mas afirmou que o caso transmite uma sensação de falta de comando no clube.
Arnaldo Ribeiro concentrou a crítica na ausência do atacante junto à delegação. O comentarista disse que é possível entender os argumentos relacionados ao número de partidas, ao gramado sintético, ao desgaste e à idade do jogador, mas considerou incompatível que Neymar não estivesse machucado e, ainda assim, não acompanhasse a equipe nem permanecesse no banco.
Neymar pode voltar no clássico
A expectativa indicada nas informações apuradas é de que Neymar volte a ser opção do Santos no compromisso seguinte. O atacante aparece como possível retorno para o clássico contra o Corinthians, marcado para domingo (30), às 16h, na Neo Química Arena, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A partida pode representar a retomada do camisa 10 depois da preservação diante do Palmeiras. Ainda assim, a utilização do jogador dependerá da avaliação da comissão técnica, justamente porque o planejamento físico foi apresentado por Cuca como um dos motivos centrais para a decisão no mata-mata.
Antes de pensar exclusivamente na volta de Neymar, o Santos terá de lidar com os efeitos do resultado na Copa do Brasil. A equipe perdeu o primeiro jogo por 3 a 0 e precisará construir uma reação ampla no duelo de volta. O desempenho no clássico, a cobrança por mais competitividade e a maneira como o clube administra a participação do principal jogador permanecem no centro da atenção para os próximos compromissos.