O Santos deixou o Estádio Bellavista, em Ambato, com a classificação para as quartas de final da Copa Sul-Americana e uma avaliação positiva de Cuca sobre o momento da equipe. O empate por 0 a 0 com o Macará, na quinta-feira (20), não teve grande brilho ofensivo, mas foi suficiente para confirmar a vantagem construída na partida de ida, vencida pelo Peixe por 2 a 1 na Vila Belmiro.
O resultado no Equador ganhou peso porque o Santos atuou com uma formação bastante modificada. Neymar e Gabriel Barbosa foram preservados no Brasil, e a comissão técnica montou um time mais protegido no meio-campo. A prioridade era evitar que o Macará transformasse a necessidade de vencer em pressão permanente e colocar em risco a vantagem obtida no primeiro jogo.
Cuca prioriza segurança defensiva
A estratégia escolhida pelo treinador funcionou principalmente na fase defensiva. O Macará precisava buscar a vitória para reverter o confronto, mas encontrou dificuldades para criar situações claras diante de um Santos organizado. A equipe brasileira teve controle das ações sem transformar a partida em um espetáculo ofensivo e praticamente não permitiu que o adversário ameaçasse de maneira constante.
Cuca admitiu que a apresentação ficou abaixo do esperado no aspecto técnico, especialmente no segundo tempo. Ainda assim, separou a falta de criatividade do cumprimento do plano de jogo. Para o treinador, a equipe soube proteger o resultado construído na Vila Belmiro e manteve o confronto sob controle até o apito final.
“A gente não conseguiu fazer um jogo tão bonito tecnicamente, principalmente no segundo tempo, mas a estratégia funcionou bem”, afirmou Cuca. O técnico também avaliou que o Santos teve oportunidades para marcar no fim da partida e destacou a atuação do sistema defensivo, que, segundo ele, sofreu pouco risco ao longo dos 90 minutos.
A declaração resume a escolha santista em Ambato: não se tratava de buscar uma atuação aberta, mas de administrar o placar agregado. O empate sem gols preservou a vantagem do primeiro duelo e garantiu ao clube uma vaga entre os oito melhores da competição continental. O time conseguiu atingir o objetivo mesmo sem contar com dois de seus principais nomes no ataque.
Retrospecto sustenta discurso
Depois da classificação, Cuca também respondeu às cobranças relacionadas ao desempenho do Santos. O treinador recorreu aos números recentes para defender a evolução do trabalho e pediu que o momento fosse analisado a partir de uma sequência maior de partidas, e não apenas pela qualidade técnica exibida diante do Macará.
Considerando os 11 jogos anteriores ao empate no Equador, o Santos acumulava sete vitórias, dois empates e duas derrotas, de acordo com os números apresentados pelo técnico. Cuca calculou que esse desempenho representava 70% de aproveitamento. Ele também citou a marca dos últimos 16 compromissos, período em que o Peixe tinha 63% de aproveitamento.
“É só levantar esses números, fazer um comparativo com todas as equipes e você vai ver que a gente está no caminho certo”, declarou o treinador. A avaliação foi usada para contestar a ideia de que uma partida sem vitória seria suficiente para apagar o crescimento apontado pela comissão técnica nas últimas semanas.
O discurso de Cuca combina a defesa do resultado obtido no Equador com um pedido de equilíbrio para a sequência da temporada. O técnico reconheceu que o Santos não venceu e que o desempenho ofensivo foi limitado, mas considerou que o comportamento defensivo e a classificação eram evidências importantes do estágio atual da equipe.
Classificação muda foco santista
O avanço na Copa Sul-Americana colocou o Atlético-MG no caminho do Santos nas quartas de final. O adversário foi definido para a próxima fase, mas o clube ainda terá de dividir a atenção com outras competições antes de voltar ao torneio continental. A equipe terá compromissos pelo Campeonato Brasileiro e pela Copa do Brasil.
A sequência recente citada por Cuca inclui também a vitória por 3 a 0 sobre o Vasco, fora de casa, pelo Brasileirão. Esse resultado veio antes do empate com o Macará e reforçou a leitura do treinador sobre uma fase de crescimento. A goleada no campeonato nacional e a classificação continental formam, para Cuca, um conjunto de resultados que deve ser considerado na avaliação do Santos.
A diferença entre as duas partidas também ajuda a explicar a postura adotada em Ambato. Contra o Vasco, o Santos venceu por margem ampla fora de casa. Diante do Macará, o objetivo principal era defender a vantagem obtida no primeiro encontro. As circunstâncias eram distintas, e a equipe respondeu com uma atuação mais cautelosa, concentrada em não conceder espaços ao adversário.
O planejamento ainda precisou levar em conta a ausência de Neymar e Gabriel Barbosa, preservados no Brasil. Com a formação alterada, o Santos não conseguiu produzir tanto no ataque, mas manteve a estrutura necessária para impedir a reação do Macará. O empate, portanto, foi construído mais pela consistência sem a bola do que pela capacidade de criar oportunidades em sequência.
Equilíbrio será cobrança de Cuca
Para o treinador, o principal desafio agora é impedir que uma eventual derrota tenha peso maior do que a sequência positiva mencionada por ele. Cuca pediu calma e equilíbrio ao analisar a campanha, defendendo que o processo de evolução não pode ser medido somente por um resultado isolado ou por uma apresentação menos vistosa.
Essa orientação aparece depois de uma partida em que o Santos precisou aceitar limitações para alcançar a classificação. O time não dominou o confronto pelo volume ofensivo, mas também não permitiu que o Macará controlasse a eliminatória. A vantagem de 2 a 1 construída na Vila Belmiro foi preservada com uma postura de maior proteção, exatamente como previa o planejamento da comissão técnica.
O treinador afirmou que, considerando o retrospecto recente, o Santos está no caminho certo para terminar o ano de maneira positiva. A avaliação não elimina a necessidade de melhorar o desempenho com a bola, mas estabelece a defesa e os resultados acumulados como pontos de apoio para a continuidade do trabalho.
Com a vaga garantida nas quartas de final da Copa Sul-Americana, o Santos segue vivo na disputa continental e terá o Atlético-MG como próximo adversário no torneio. Até lá, a equipe precisará enfrentar a agenda do Brasileirão e da Copa do Brasil. A classificação em Ambato encerrou uma etapa importante, enquanto a sequência nacional apresentará novos testes para o elenco e para as escolhas de Cuca.
O empate sem gols não entregou uma atuação ofensivamente marcante, mas cumpriu a tarefa central do confronto. O Santos protegeu a vantagem, sofreu pouco e avançou. Para Cuca, os números dos últimos jogos dão sustentação à leitura de evolução. A continuidade desse desempenho, agora em diferentes competições, será o principal parâmetro para confirmar ou não a avaliação apresentada pelo treinador após a partida no Equador.
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