O Cruzeiro busca se tornar o primeiro a chegar ao G-4 após início sem vitórias.Foto: Reprodução da Internet
O Cruzeiro transformou uma largada preocupante em uma disputa por vaga no grupo dos quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. Com seis rodadas ainda pela frente, a equipe comandada por Artur Jorge tenta confirmar presença na Copa Libertadores de 2027 e, ao mesmo tempo, superar uma barreira que nunca foi vencida desde a adoção do sistema de pontos corridos, em 2003.
O dado que sustenta a possibilidade histórica está ligado ao início da campanha. O time mineiro passou as oito primeiras partidas sem conquistar uma vitória. Segundo levantamento do portal Central da Toca, feito com base nos registros do OGol.com, nenhum clube que começou uma edição do Brasileirão com um jejum dessa extensão terminou a competição no G-4.
Por isso, a reação celeste não representa apenas uma recuperação na tabela. Caso alcance uma das quatro primeiras posições, o Cruzeiro será o primeiro clube, dentro desse recorte estatístico, a iniciar o campeonato com oito jogos sem vencer e ainda assim concluir a disputa entre os principais colocados.
Início colocou o Cruzeiro na lanterna
A campanha começou sob forte pressão. Nas oito rodadas iniciais, o Cruzeiro somou quatro pontos em 24 possíveis, com quatro empates e quatro derrotas. O desempenho levou a equipe à última colocação e criou um cenário de dificuldade esportiva logo no começo da Série A.
O período também foi marcado por uma troca no comando. Tite deixou o cargo na sexta rodada, e Wesley Carvalho assumiu a equipe durante uma transição curta. A mudança ocorreu justamente quando o time ainda não havia vencido no campeonato e precisava interromper uma sequência que comprometia suas pretensões na temporada.
A chegada de Artur Jorge alterou o rumo da campanha. Com o treinador português, o Cruzeiro passou a apresentar uma resposta competitiva capaz de afastá-lo da lanterna e recolocá-lo na disputa por objetivos mais altos. A evolução não apagou o começo ruim, mas criou a possibilidade de um desfecho incomum na história recente do torneio.
Levantamento dimensiona o desafio
O estudo citado na apuração identificou 19 campanhas, desde 2003, nas quais os clubes registraram jejuns de vitórias iguais ou superiores ao vivido pelo Cruzeiro no início desta edição. Nenhuma dessas equipes terminou dentro do G-4.
O número não determina o resultado da atual temporada e tampouco funciona como uma projeção matemática para as rodadas restantes. Ele serve para mostrar a dimensão da marca que está ao alcance do time mineiro. A equipe ainda precisa confirmar em campo a aproximação das primeiras posições antes de transformar a possibilidade em recorde.
O eventual avanço para a Libertadores teria uma consequência esportiva direta, com o retorno do Cruzeiro à competição continental em 2027. Também representaria a interrupção de uma sequência observada nas 23 edições do Brasileirão disputadas sob o atual formato.
O cenário é especialmente significativo porque a campanha mudou de natureza ao longo do torneio. O mesmo time que, nas primeiras rodadas, acumulou apenas quatro pontos e ocupou a lanterna passou a disputar espaço na parte superior da classificação. Essa diferença entre os dois momentos explica por que a reação ganhou peso além dos resultados isolados.
Clássico será o próximo teste
O caminho para confirmar a recuperação passa pelo clássico contra o Atlético-MG, pela 33ª rodada. O confronto está marcado para esta quinta-feira, dia 29, às 19h30, na Arena MRV. O duelo fora de casa será o próximo compromisso do Cruzeiro na tentativa de permanecer próximo da faixa que garante vaga na Libertadores.
Com seis partidas restantes, cada resultado passa a ter importância maior para a disputa. Uma vitória pode ajudar a equipe a sustentar a aproximação do G-4, enquanto uma derrota exigirá reação nos cinco jogos seguintes. O efeito concreto na tabela, porém, também dependerá do desempenho dos concorrentes diretos.
O clássico chega, portanto, em um momento no qual o Cruzeiro precisa transformar a recuperação acumulada em regularidade. A partida reúne a rivalidade estadual e a pressão própria de uma reta final curta, na qual o espaço para recuperar pontos diminui a cada rodada. O contexto do confronto foi detalhado em análise sobre o cenário do Cruzeiro antes do clássico.
Respaldo interno durante a reação
A reorganização da campanha também foi associada ao suporte dado pela gestão de Pedro Lourenço e pelo executivo Paulinho. De acordo com a apuração, a diretoria procurou preservar o ambiente do futebol durante a troca de treinador e manteve o respaldo ao elenco e à comissão técnica.
Esse apoio ocorreu em uma temporada que apresentou uma mudança brusca de perspectiva. O Cruzeiro saiu de um começo sem vitórias, com quatro empates e quatro derrotas, para uma condição de disputa entre equipes que miram a classificação continental. A transição de um extremo ao outro foi conduzida sob o comando de Artur Jorge, responsável pela equipe no período de reação.
Agora, o clube precisa sustentar o desempenho nas seis rodadas finais. Se terminar no G-4, o Cruzeiro assegurará a vaga na Libertadores de 2027 e estabelecerá uma marca inédita nos pontos corridos: nenhum time havia conseguido chegar entre os quatro primeiros depois de passar as oito partidas iniciais do Brasileirão sem vencer.