A pressão sobre Renato aumenta após a derrota, mas ele não ameaçou deixar o cargo.Foto: Reprodução da Internet
A derrota do Grêmio por 4 a 2 para o Cruzeiro, na Arena, ampliou a pressão sobre Renato Portaluppi. Além do resultado manter o clube na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, as declarações do treinador na entrevista coletiva provocaram críticas públicas de Neto e Felipe Melo. Nos bastidores, uma conversa reservada com a direção também alimentou dúvidas sobre a continuidade do técnico, mas a informação mais recente é de que Renato não colocou o cargo à disposição.
O episódio reúne dois problemas para o Grêmio: o desempenho insuficiente em campo e o desgaste provocado pela forma como o treinador vem cobrando jogadores e contratações. A equipe ocupa a 18ª posição, com 31 pontos, a sete rodadas do fim da competição. O Corinthians, primeiro time fora da zona de rebaixamento no momento citado pelas fontes, tinha 32 pontos antes do encerramento da 31ª rodada.
Reunião no vestiário não significou pedido de demissão
Depois da derrota para o Cruzeiro, Renato conversou reservadamente com o presidente Odorico Roman em uma sala do vestiário da Arena. Integrantes do departamento de futebol também permaneceram no local. O vice-presidente Rafael Lima acompanhou a entrevista coletiva, enquanto o executivo Paulo Pelaipe esteve no vestiário.
A reunião provocou especulações sobre uma possível saída, especialmente porque o ambiente era de frustração e cobrança. No entanto, a apuração posteriormente divulgada pela GZH, conforme reproduzida pelo material analisado, indicou que o treinador não ameaçou deixar o comando e tampouco apresentou pedido de demissão. A conversa ocorreu em meio à pressão pelos resultados, mas não representou uma decisão de ruptura.
Renato também conversou com os atletas e defendeu a continuidade da luta contra o rebaixamento. A orientação, segundo o relato, foi para que o grupo mantivesse a confiança apesar da situação desfavorável. O ambiente descrito no vestiário era de jogadores abatidos e poucas manifestações, mas a cobrança não teria ultrapassado o padrão de reuniões realizadas depois de derrotas consideradas graves.
Na coletiva, o treinador reconheceu que o cenário ficou mais difícil. Ainda assim, sustentou que o Grêmio conserva possibilidades de recuperação. A avaliação foi acompanhada da preocupação com o aspecto psicológico, já que a equipe precisa reagir nas últimas rodadas para tentar deixar a zona de rebaixamento.
Neto questiona a gestão do elenco
As críticas mais contundentes vieram de Neto, durante o programa Donos da Bola. O apresentador afirmou que respeita a história de Renato e reconhece os títulos conquistados pelo treinador, mas avaliou que o trabalho atual não apresenta a gestão de grupo esperada.
Na análise de Neto, a principal força de Renato sempre esteve no vestiário, e as críticas públicas aos jogadores estariam prejudicando justamente esse aspecto. O apresentador também contestou a postura do técnico ao mencionar que um reforço teria chegado ao clube nove quilos acima do peso. Para Neto, se a comissão técnica tinha conhecimento da condição do atleta, a questão deveria ter sido tratada de outra maneira.
O comentarista ainda afirmou que o Grêmio está acima de qualquer profissional, inclusive de seu maior ídolo. A declaração foi feita em tom de cobrança à direção e ao treinador, depois da entrevista concedida por Renato. Neto chegou a defender uma eventual demissão caso estivesse na presidência do clube, mas essa foi uma opinião apresentada no programa, não uma decisão tomada pelo Grêmio.
Felipe Melo vê desgaste com parte do grupo
Felipe Melo, ex-jogador do Grêmio e atual comentarista do Grupo Globo, também avaliou negativamente a entrevista. Para ele, a exposição de problemas individuais pode repercutir mal entre os atletas. O ex-volante citou a menção de Renato a uma possível multa para Kannemann, expulso na derrota para o Cruzeiro, e considerou que esse tipo de cobrança deveria ser conduzido internamente.
Felipe Melo também lembrou que Renato voltou a criticar contratações feitas pela direção. O treinador citou um reforço que teria chegado acima do peso, mas não revelou o nome do jogador. Na avaliação do comentarista, esse tipo de declaração pode provocar perda de confiança dentro do elenco. Felipe Melo afirmou ter a convicção de que, depois daquela entrevista, Renato poderia ter perdido ao menos parte do grupo.
A fala do ex-jogador, porém, representa uma avaliação de comentarista sobre os efeitos das declarações. As fontes não apresentam confirmação de que metade do elenco tenha rompido com o treinador. O que está confirmado é a existência de críticas públicas, a derrota em casa e a reunião entre Renato e dirigentes após o jogo.
Derrota deixou o Grêmio em situação delicada
O Cruzeiro venceu por 4 a 2 e construiu o resultado com três gols de Kaio Jorge e um de João Marcelo. Pavón e Carlos Vinícius marcaram para o Grêmio. O atacante da equipe mineira teve atuação decisiva e chegou a dez gols contra o Tricolor, de acordo com o material fornecido.
Enquanto o Cruzeiro alcançou 51 pontos e assumiu a quarta colocação após o tropeço do Fluminense diante do Santos, o Grêmio desperdiçou a oportunidade de se aproximar do Corinthians. A diferença era de apenas um ponto no recorte apresentado, mas o resultado aumentou a urgência por uma reação. A derrota também manteve o time na 18ª posição, com a permanência na zona de rebaixamento.
O momento esportivo ajuda a explicar a intensidade das cobranças sobre Renato. O treinador retornou ao comando com a expectativa de reorganizar o ambiente e conduzir a equipe para longe da parte inferior da tabela, mas, segundo a análise de Felipe Melo, os resultados e a forma de jogar não apresentaram mudança significativa. A crítica se soma à avaliação de Neto sobre a condução do elenco.
O Grêmio retomaria os treinamentos na terça-feira, dia 20, no CT Luiz Carvalho. O próximo compromisso indicado pelas fontes é contra o Coritiba, na segunda-feira, dia 26, às 19h30, no Couto Pereira. Até lá, Renato terá de trabalhar a resposta esportiva e administrar o desgaste criado pelas declarações, sem que haja confirmação de uma saída do cargo.
O cenário, portanto, combina pressão externa, cobrança interna e necessidade imediata de pontuar. A reunião com a direção não terminou em pedido de demissão, mas a derrota para o Cruzeiro deixou claro que o Grêmio precisa reagir rapidamente. A forma como Renato conduzirá o vestiário nos próximos dias será parte central da tentativa de recuperação no campeonato.