Corinthians não pagou dívida com a CNRD e pode enfrentar punições mais severas para registro de jogadores.Foto: Reprodução da Internet
O Corinthians enfrenta uma nova ameaça ao planejamento esportivo por causa de uma dívida incluída no acordo firmado com a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à CBF. O clube não quitou a sexta parcela do compromisso, estimada em R$ 8 milhões, cujo vencimento ocorreu na segunda-feira (19).
OFERTAS PARA A TORCIDA
Ofertas podem mudar no Mercado Livre
Faca De Churrasco Cozinha Corte Carne Times Futebol OficialDe R$ 78,90
O atraso representa a segunda prestação consecutiva não paga dentro do cronograma. A parcela anterior, com vencimento em julho e valor semelhante, também permanece em aberto. A situação já resultou em restrições para o registro de novos atletas e pode gerar uma sanção mais dura, caso o pedido apresentado pelo Cuiabá seja aceito.
Um dos credores do Corinthians no processo da CNRD, o Cuiabá solicitou que a proibição de registrar jogadores seja ampliada por seis meses. A solicitação prevê que a punição continue válida mesmo se o clube paulista regularizar os débitos durante esse período.
Como alternativa, o clube mato-grossense pediu que a restrição permaneça, no mínimo, até o encerramento da primeira janela de registros da temporada de 2027. O pedido ainda será analisado pela CNRD, que não havia tomado uma decisão sobre a extensão da penalidade até a publicação das informações.
Assim, o Corinthians ainda não recebeu confirmação de uma nova punição. O que existe, neste momento, é uma solicitação formal de um credor, feita após o descumprimento de mais uma etapa do acordo financeiro. A decisão do órgão será determinante para definir por quanto tempo o clube continuará impedido de inscrever reforços.
Após a repercussão do caso, o Corinthians divulgou uma nota oficial. O clube afirmou que está ciente da situação e que trabalha para regularizar o compromisso firmado com a CNRD. A diretoria também declarou que busca soluções para cumprir as obrigações financeiras dentro do processo de reestruturação em andamento.
Na manifestação, o Corinthians classificou o assunto como prioridade e disse que continuará adotando medidas para resolver a pendência. O comunicado, porém, não informou quando as duas parcelas em atraso serão pagas. Sem um prazo apresentado publicamente, a situação permanece sem uma previsão definida de regularização.
O acordo coletivo foi homologado em abril de 2025 e estabelece o pagamento de aproximadamente R$ 76 milhões aos credores. O valor foi dividido em parcelas trimestrais ao longo de seis anos, com a intenção de organizar parte das dívidas do clube com jogadores, clubes e empresários.
O cronograma já havia apresentado problemas antes do novo atraso. De acordo com as informações divulgadas, parcelas anteriores também foram pagas fora do prazo, o que provocou restrições temporárias ao Corinthians mesmo depois da quitação da pendência correspondente. Agora, a falta de pagamento de duas prestações seguidas aumenta a pressão sobre a administração.
Corinthians já tem outras restrições ativas
A dificuldade não está limitada ao acordo com a CNRD. O Corinthians também possui dois transfer bans determinados pela Fifa, relacionados a contratações realizadas junto ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, e ao Midtjylland, da Dinamarca. Com a sanção ligada à CNRD, o clube soma três restrições ativas que impedem o registro de novos jogadores.
Uma das punições envolve a contratação do volante José Martínez. O Corinthians foi condenado a pagar cerca de US$ 1,5 milhão ao Philadelphia Union, valor próximo de R$ 8 milhões conforme a cotação mencionada nas apurações. A dívida gerou uma das decisões que bloquearam a inscrição de atletas pelo clube.
A outra restrição da Fifa está relacionada à contratação do volante Charles, realizada em 2024. O jogador foi adquirido do Midtjylland, mas uma parcela final do acordo não foi quitada no vencimento. As fontes divergem quanto ao valor exato da pendência, mencionando cifras entre 800 mil euros e aproximadamente 1 milhão de euros; por isso, o montante não é tratado como definitivo nesta reportagem.
O clube já conseguiu quitar uma punição diferente, relacionada a uma multa disciplinar de US$ 225 mil, cerca de R$ 1,15 milhão na cotação informada. Essa regularização, no entanto, não eliminou os demais bloqueios atualmente associados às dívidas com o Philadelphia Union, o Midtjylland e à obrigação em aberto na CNRD.
Impacto no planejamento da próxima temporada
Enquanto as restrições estiverem vigentes, o Corinthians não poderá registrar novos reforços. A consequência atinge diretamente a montagem do elenco para a próxima temporada, principalmente porque o clube precisará encontrar soluções financeiras antes de avançar com novas inscrições.
Mesmo que a diretoria consiga pagar as parcelas atrasadas, o pedido do Cuiabá busca impedir a suspensão imediata da penalidade adicional. A CNRD ainda precisa avaliar os argumentos apresentados e definir se haverá extensão do bloqueio, por quanto tempo e em quais condições.
O Corinthians, portanto, depende de duas frentes para reduzir o problema: a regularização dos valores previstos no acordo e a análise do pedido de punição feito pelo Cuiabá. Até que exista uma decisão oficial, o cenário confirmado é o de parcelas em aberto e restrições que continuam afetando a capacidade do clube de registrar jogadores.