Corinthians enfrenta crise e precisa definir novo executivo de futebol após saída de Marcelo Paz.Foto: Reprodução da Internet
O Corinthians anunciou, na terça-feira (20), o fim do ciclo de Marcelo Paz como executivo de futebol. A saída foi definida em comum acordo com o presidente Osmar Stabile, após reunião entre os dois. O clube confirmou a decisão em nota oficial, agradeceu pelos serviços prestados e desejou sucesso ao profissional, mas não informou quem assumirá a função.
OFERTAS PARA A TORCIDA
Ofertas podem mudar no Mercado Livre
Faca De Churrasco Cozinha Corte Carne Times Futebol OficialDe R$ 78,90
A mudança ocorre em um momento de forte pressão sobre o departamento de futebol. O Corinthians convive com resultados negativos, dificuldades financeiras e cobranças internas e externas. A saída de Paz também acontece cinco dias depois de representantes de torcidas organizadas se reunirem com Stabile no Parque São Jorge para exigir alterações na condução do clube.
O comunicado divulgado pelo Corinthians não apresentou justificativas detalhadas para o encerramento do vínculo. A mensagem informou apenas que Paz e Stabile decidiram, em comum acordo, pelo fim do trabalho do executivo junto ao clube. Também não foram divulgadas eventuais condições financeiras relacionadas ao desligamento.
Com isso, o Corinthians ainda precisa definir quem ficará responsável pela condução executiva do futebol. A ausência de um substituto anunciado deixa em aberto a organização do departamento em um período que exige decisões sobre elenco, comissão técnica e planejamento esportivo.
Marcelo Paz havia chegado ao clube em dezembro de 2025, para substituir Fabinho Soldado. Sua passagem durou pouco menos de dez meses e incluiu a participação no planejamento da temporada de 2026. Durante esse período, o executivo passou a responder por decisões importantes da estrutura do futebol profissional.
Pressão aumentou após cobranças no Parque São Jorge
A saída foi anunciada poucos dias depois de uma reunião entre lideranças de torcidas organizadas e o presidente corintiano. Segundo as informações divulgadas, os representantes cobraram explicações para a crise atravessada pelo clube e defenderam a saída imediata de Marcelo Paz.
As cobranças também envolveram o afastamento de Memphis Depay do elenco principal, a situação financeira do Corinthians e os critérios utilizados para a contratação de Clarence Seedorf. A Gaviões da Fiel manifestou insatisfação com decisões da gestão e pediu mudanças no departamento de futebol.
Apesar da proximidade entre o encontro e o desligamento, o comunicado oficial do Corinthians não relacionou diretamente a saída de Paz às reivindicações das organizadas. A decisão, portanto, foi apresentada formalmente apenas como um acordo entre o executivo e o presidente.
O episódio ocorre em meio a problemas que já vinham afetando o ambiente do clube. O Corinthians enfrenta pendências financeiras, atrasos relacionados aos direitos de imagem dos jogadores, restrições ao registro de novos atletas e questões em tramitação na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O clube também possui dois transfer bans impostos pela Fifa, conforme as informações reunidas sobre o cenário administrativo.
Essas dificuldades ampliam a responsabilidade de quem assumir o comando executivo do futebol. Além de administrar o relacionamento com o elenco, o próximo profissional terá de trabalhar em um ambiente de limitações financeiras e com a necessidade de manter o planejamento esportivo em andamento.
Decisões sobre Diniz e Memphis pesaram no ambiente
Durante a passagem pelo Corinthians, Marcelo Paz foi alvo de questionamentos relacionados à condução de temas como a renovação de Memphis Depay e a permanência de Fernando Diniz. O executivo sustentou a continuidade do treinador durante o período de 15 dias da Data Fifa, na expectativa de que a pausa ajudasse a equipe a reorganizar o desempenho.
Após a retomada das partidas, entretanto, o Corinthians voltou a registrar resultados negativos. A derrota por 2 a 1 para o Internacional, em 7 de outubro, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou acompanhada pela demissão de Diniz. A decisão de manter o técnico durante a interrupção do calendário passou a fazer parte das discussões sobre a condução do futebol.
O desgaste também alcançou a situação contratual de Memphis Depay. As informações disponíveis apontam que a condução das conversas pela renovação do atacante foi um dos assuntos que geraram questionamentos internos sobre o trabalho do executivo. Não foram divulgados, porém, detalhes conclusivos sobre o estágio das tratativas ou sobre um eventual acordo.
O momento esportivo do Corinthians pode ser acompanhado em meio a outras dificuldades recentes do clube, como os atrasos que já ameaçavam ampliar o bloqueio para o registro de reforços. O cenário financeiro, portanto, não é um elemento separado da mudança administrativa: ele influencia diretamente o planejamento do elenco e a capacidade de resposta do departamento de futebol.
Departamento terá de ser reorganizado
A saída de Marcelo Paz cria uma nova etapa de reorganização no futebol corintiano. O clube ainda precisa indicar o responsável pelo cargo e definir como será a divisão de tarefas durante a transição. Também será necessário alinhar o trabalho do novo executivo com Clarence Seedorf, contratado recentemente para comandar a equipe.
O próximo dirigente encontrará um elenco pressionado, uma torcida insatisfeita e uma diretoria cobrada por respostas para problemas esportivos e financeiros. A escolha do substituto poderá indicar a prioridade da gestão de Stabile: uma solução permanente para o departamento ou uma alternativa provisória enquanto o clube busca reorganizar suas contas e seu planejamento.
Por enquanto, o único ponto oficial é o encerramento do vínculo de Marcelo Paz em comum acordo com o Corinthians. Sem substituto anunciado e sem explicações adicionais no comunicado, os próximos passos da direção devem definir como o clube pretende conduzir o futebol profissional em meio à crise.
O cenário chega em uma sequência de decisões importantes para o Timão. A diretoria terá de administrar as pendências financeiras, dar continuidade ao trabalho de Seedorf e responder às cobranças que levaram as torcidas organizadas ao Parque São Jorge. A definição do novo executivo será, assim, uma das primeiras medidas para tentar recuperar estabilidade no departamento.