Neymar celebra após marcar dois gols na partida pelo Santos.Foto: Reprodução da Internet
Neymar foi o personagem central do empate por 2 a 2 entre Santos e Flamengo, na quinta-feira, na Vila Belmiro. O camisa 10 marcou os dois gols santistas em cobranças de pênalti e teve participação direta na reação da equipe, que buscou um resultado importante diante de um dos principais times do país.
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A atuação, porém, não produziu uma leitura única. Enquanto o comentarista Juca Kfouri afirmou que Neymar “salvou o Santos do rebaixamento” ao considerar as contratações e partidas decisivas do atacante, José Trajano avaliou que converter duas penalidades era uma obrigação diante das circunstâncias. O debate também alcançou a arbitragem, já que os dois pênaltis foram questionados por integrantes do programa Posse de Bola.
As duas finalizações contra o Flamengo ampliaram a marca de Neymar desde seu retorno ao Santos, em janeiro de 2025. De acordo com levantamento baseado em registros do Transfermarkt, o atacante chegou a oito pênaltis convertidos em oito tentativas desde a volta ao clube. Sete cobranças foram pelo Peixe, enquanto uma ocorreu pela Seleção Brasileira, contra a Noruega, na Copa do Mundo.
O dado ajuda a explicar por que Neymar continua sendo o principal responsável pelas bolas paradas do Santos. Mesmo após um período de inatividade, o jogador assumiu a responsabilidade nos dois momentos decisivos do clássico e não desperdiçou nenhuma das oportunidades. A última penalidade perdida por ele, segundo o levantamento, havia ocorrido em 29 de setembro de 2023, quando ainda defendia o Al Hilal.
Considerando toda a carreira, os números são menos perfeitos. O registro consultado pelo Lance! aponta 97 pênaltis convertidos e 22 desperdiçados em 119 cobranças, aproveitamento aproximado de 81,5%. A relação de penalidades perdidas não significa necessariamente que todas tenham sido defendidas por goleiros, pois também inclui chutes para fora ou na trave.
Atuação recoloca Neymar no centro do projeto santista
Para Juca Kfouri, o peso de Neymar no momento do Santos vai além dos gols marcados contra o Flamengo. O comentarista associou a influência do jogador também às contratações e a outras atuações durante a campanha, concluindo que o camisa 10 teve papel importante para afastar o clube da luta contra o rebaixamento.
A avaliação está relacionada à mudança de cenário do Santos no Campeonato Brasileiro. Conforme os dados apresentados após a partida, a equipe alcançou 42 pontos, ocupou a oitava colocação e chegou ao oitavo jogo consecutivo sem derrota. O time também ficou a três pontos da marca de 45, tratada como referência para afastar de vez o risco de queda.
Esse contexto explica a dimensão atribuída ao retorno de Neymar. O atacante havia se recuperado de uma lesão muscular na coxa direita e voltou justamente em uma partida de alta exigência. Ao balançar as redes duas vezes, ele ofereceu uma resposta imediata dentro de campo, ainda que o desempenho tenha sido analisado com cautela por causa do modo como os gols aconteceram.
O técnico Cuca também destacou a influência do jogador sobre o grupo. Na avaliação do treinador, a presença de Neymar fortalece emocionalmente os companheiros e aumenta a confiança coletiva. Cuca ressaltou a qualidade técnica do camisa 10, mas ponderou que o retorno deve ser conduzido jogo a jogo, já que o atacante ainda busca recuperar ritmo e confiança.
Arbitragem também entrou na discussão
O empate não foi analisado apenas a partir da participação de Neymar. Juca Kfouri contestou as duas penalidades e afirmou que o primeiro lance deveria ter sido marcado como falta fora da área. Na jogada, Jorginho acabou expulso, o que, na visão do comentarista, alterou o rumo do confronto.
Arnaldo Ribeiro também colocou a arbitragem no centro do debate. Ele chamou atenção para a demora na revisão do lance pelo VAR e considerou que a decisão teve peso significativo no resultado e na disputa do Campeonato Brasileiro. As opiniões, portanto, dividiram a responsabilidade pelo placar entre a eficiência de Neymar e as decisões tomadas durante a partida.
José Trajano adotou uma leitura diferente. Para ele, o atacante apenas cumpriu a obrigação ao converter duas cobranças que estavam à sua disposição. A declaração relativizou o protagonismo de Neymar e mostrou que os gols, embora decisivos para o Santos, não encerraram a discussão sobre a atuação do jogador.
O que o resultado representa para o Santos
O empate manteve a sequência invicta do Santos e reforçou a percepção de que a equipe atravessa um momento diferente daquele vivido meses atrás. O time chegou aos 42 pontos e passou a mirar uma posição mais alta na tabela, com a possibilidade de disputar uma vaga na Libertadores de 2027 aparecendo como objetivo esportivo.
Cuca reconheceu que a arrancada superou suas próprias expectativas. O treinador lembrou que o clube convivia anteriormente com cobranças relacionadas ao risco de rebaixamento e agora está a três pontos da marca considerada suficiente para eliminar essa preocupação. Ainda assim, evitou tratar a campanha como concluída e afirmou que o grupo precisa manter o trabalho até o fim.
A participação de Neymar será um dos fatores observados nessa reta final. Contra o Flamengo, ele mostrou eficiência nas penalidades e voltou a influenciar diretamente o placar. Ao mesmo tempo, sua condição física e a necessidade de recuperar sequência impedem conclusões definitivas sobre o nível que poderá alcançar nas próximas partidas.
O empate, assim, produziu duas certezas e uma discussão. O Santos saiu pontuando e ampliou sua série sem derrotas; Neymar converteu as duas cobranças que assumiu; e a arbitragem passou a dividir com o camisa 10 o espaço nas análises do jogo. O peso de sua atuação continuará sendo medido não apenas pelos gols, mas também pelo impacto que sua presença exerce sobre a equipe na tentativa de terminar o campeonato em alta.