Rogério Ceni questiona não expulsão de Pulgar, mas Flamengo domina e garante vitória convincente.Foto: Reprodução da Internet
A vitória do Flamengo por 3 a 0 sobre o Bahia, neste domingo (18), na Arena Fonte Nova, deixou dois assuntos principais após a partida: o domínio rubro-negro na segunda etapa e a reclamação de Rogério Ceni contra a arbitragem. O treinador baiano entendeu que Erick Pulgar deveria ter sido expulso em uma jogada envolvendo Alejo Véliz, quando o placar ainda estava zerado.
O lance ocorreu depois de um erro de Agustín Rossi na saída de bola. O goleiro do Flamengo estava fora da meta quando Alejo recuperou a posse e ficou em condição de tentar finalizar. Pulgar interrompeu a jogada com uma falta, mas recebeu somente cartão amarelo do árbitro Wilton Pereira Sampaio.
Na entrevista concedida depois do confronto, Rogério Ceni argumentou que Alejo poderia concluir com o gol desprotegido. Por isso, na avaliação do técnico, a infração deveria ter resultado em cartão vermelho para o volante chileno.
“O goleiro estava fora do gol, Alejo vai bater com o gol livre, e ele não expulsa o jogador”, afirmou Ceni. O treinador também disse que não se sentia confortável em criticar a arbitragem, mas classificou o episódio como um lance pontual que, em sua opinião, merecia expulsão.
A reclamação ganhou peso porque aconteceu antes de o Flamengo abrir o placar. Para Ceni, uma eventual expulsão poderia ter alterado o desenvolvimento do jogo. Ainda assim, o treinador reconheceu que o Bahia teve dificuldades para construir as jogadas e admitiu que a equipe apresentou desempenho abaixo do esperado no primeiro tempo.
A interpretação apresentada por Ceni não foi acompanhada por Paulo César Oliveira. Durante um programa do SporTV, a avaliação do especialista em arbitragem foi de que o cartão amarelo era suficiente para a jogada.
Segundo a análise divulgada pelo Lance!, a presença de Jorginho próxima ao lance foi determinante. O meio-campista do Flamengo poderia acompanhar a jogada e se tornar o defensor capaz de interferir na conclusão de Alejo. Esse fator, conhecido como um dos critérios dos “quatro D’s” para caracterizar uma chance clara de gol, afastaria a aplicação automática do cartão vermelho.
Assim, embora Alejo tivesse espaço e Rossi estivesse distante da baliza, a jogada não seria necessariamente enquadrada como impedimento de uma oportunidade manifesta de gol. A posição de outros defensores e a possibilidade de intervenção também entram na avaliação da arbitragem. Por essa leitura, a decisão de Wilton Pereira Sampaio foi considerada adequada pelo especialista.
Flamengo transforma superioridade em gols
O Flamengo controlou boa parte do primeiro tempo e criou oportunidades com Pedro, Jorge Carrascal e Samuel Lino. O time carioca, porém, não conseguiu aproveitar as chances iniciais. Do outro lado, o goleiro Ronaldo teve participação importante para manter o Bahia vivo no confronto.
O cenário mudou depois do intervalo. O Flamengo conservou a pressão e passou a ser mais eficiente nas finalizações. Aos 18 minutos, Carrascal sofreu falta dentro da área, e o árbitro marcou pênalti. Jorginho assumiu a cobrança e colocou o time visitante em vantagem na Fonte Nova.
Com o Bahia obrigado a se expor, o Flamengo encontrou mais espaços para atacar. Samuel Lino cruzou para Gonzalo Plata, que apareceu livre no segundo poste e marcou de peixinho. O terceiro gol foi de Lucas Paquetá, em uma jogada individual na qual o meia aplicou um chapéu antes de concluir.
O resultado confirmou a superioridade demonstrada pelo Flamengo durante o jogo. A equipe comandada por Leonardo Jardim teve maior volume ofensivo, sofreu pouco com as tentativas do Bahia e decidiu a partida com três gols na etapa final. A atuação também permitiu ao clube recuperar a liderança do Campeonato Brasileiro, conforme o cenário informado após a 31ª rodada.
Repercussão para os dois clubes
Para o Bahia, a derrota manteve a equipe com 49 pontos e na sétima posição. O clube continua na disputa por uma vaga na próxima edição da Copa Libertadores, mas terá de reagir no compromisso seguinte contra o Santos, marcado para sábado (24), às 21h, na Vila Belmiro.
O Flamengo, por sua vez, deixa Salvador fortalecido pelo placar e pela capacidade de controlar o confronto mesmo depois de ser alvo da reclamação sobre a arbitragem. A equipe também preservou a vantagem esportiva construída ao longo da partida, sem que Pulgar fosse expulso ou precisasse deixar o campo mais cedo.
A discussão sobre o lance deve continuar porque envolve duas interpretações diferentes: a de Ceni, baseada na existência de um gol desprotegido, e a avaliação técnica de que Jorginho ainda poderia acompanhar Alejo. O cartão aplicado em campo permaneceu amarelo, e o resultado final não foi alterado pela controvérsia.
Enquanto o Bahia volta as atenções para a sequência do Brasileirão, o Flamengo passa a dividir a preparação entre a liderança nacional e o compromisso continental contra o Estudiantes. O time rubro-negro enfrentará os argentinos na quinta-feira (22), no Maracanã, pelo jogo de volta das semifinais da Libertadores, depois do empate sem gols na partida de ida.