A Confederação Brasileira de Futebol reconheceu que Carlos Vinicius deveria ter sido expulso no primeiro Gre-Nal das quartas de final da Copa do Brasil de 2026. A conclusão foi apresentada ao Internacional pela Ouvidoria da entidade, após o clube questionar um lance ocorrido no empate por 0 a 0 com o Grêmio, no Beira-Rio.
O episódio aconteceu aos 45 minutos do primeiro tempo, quando o atacante gremista disputou uma bola com Bruno Gomes e atingiu o jogador colorado com o braço. Carlos Vinicius já tinha cartão amarelo desde os 41 minutos, recebido após se envolver em uma discussão. Dessa forma, uma nova advertência no lance resultaria em cartão vermelho.
Ouvidoria considerou o contato passível de amarelo
Na avaliação encaminhada ao Internacional, a CBF entendeu que Carlos Vinicius fez uso ilegal dos braços e atingiu o rosto do adversário sem considerar o risco provocado pela ação. A interpretação da entidade foi de que a falta deveria ser punida com cartão amarelo.
Como o centroavante já estava advertido, o entendimento técnico indicou a aplicação do segundo amarelo e, na sequência, a expulsão. A decisão tomada durante a partida, porém, foi diferente: o árbitro Ramon Abatti Abel não mostrou uma nova advertência ao jogador, que permaneceu em campo no clássico disputado em 27 de agosto.
A análise da Ouvidoria foi enviada ao Internacional depois de dez dias úteis. A resposta confirma a avaliação posterior sobre o lance, mas não modifica o resultado registrado no Beira-Rio. O placar de 0 a 0 continua válido para todos os efeitos da competição.
Arbitragem não será afastada pelo episódio
O reconhecimento da CBF também não provocou o afastamento de Ramon Abatti Abel. A equipe de arbitragem daquele jogo teve Thiaggo Americano Labes e Michael Stanislau como assistentes, enquanto Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira foi o responsável pelo VAR.
A Diretoria de Arbitragem informou ao ge que não considera inadequado admitir erros cometidos durante as partidas. Dentro da estrutura da entidade, a Ouvidoria funciona como um canal de diálogo com os clubes, permitindo que questionamentos sobre decisões de arbitragem sejam analisados posteriormente.
Na prática, a manifestação tem alcance técnico. Ela registra que, sob a avaliação posterior da CBF, o lance entre Carlos Vinicius e Bruno Gomes deveria ter terminado com a expulsão do gremista, mas não produz uma punição retroativa nem interfere no andamento da Copa do Brasil.
O episódio também não altera a participação de Carlos Vinicius no restante daquele confronto. O Grêmio voltou a enfrentar o Internacional no jogo de volta, disputado na Arena, e o atacante teve papel decisivo no resultado que definiu a vaga.
Atacante marcou duas vezes no jogo decisivo
Na segunda partida, Carlos Vinicius marcou os dois gols do Grêmio na vitória por 3 a 1 sobre o Internacional. O triunfo garantiu ao clube a classificação para as semifinais da Copa do Brasil, depois do empate sem gols no primeiro encontro.
A sequência dos dois jogos dá dimensão esportiva ao reconhecimento feito pela CBF: o jogador que, conforme a análise da Ouvidoria, deveria ter deixado o campo no Beira-Rio acabou sendo decisivo na partida que encerrou o confronto. Ainda assim, os resultados não são reabertos, e a classificação gremista permanece assegurada pelo placar obtido na Arena.
O Gre-Nal 453, portanto, fica registrado com o empate na ida e a vitória do Grêmio na volta. A avaliação da entidade esclarece como o contato com Bruno Gomes deveria ter sido punido, mas não muda os registros do clássico, não retira o Grêmio das semifinais e não aplica alteração retroativa à disputa das quartas de final.