O Brasil empatou por 1 a 1 com a Austrália nesta sexta-feira (25), no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville. O amistoso marcou o início do novo ciclo da Seleção sob o comando de Carlo Ancelotti, mas terminou com uma atuação abaixo das expectativas e uma reação apenas nos minutos finais.
Nestory Irankunda abriu o placar para os australianos aos 23 minutos do segundo tempo, em cobrança de falta. Quando a derrota parecia encaminhada, Rayan aproveitou escanteio cobrado por Raphinha e cabeceou para as redes aos 49 minutos. O resultado evitou um início negativo para o trabalho do treinador italiano, mas não escondeu os problemas apresentados pela equipe.
O confronto também serviu para Ancelotti observar uma formação com novidades. Matheuzinho e Vitor Reis começaram entre os titulares, enquanto Hugo Souza ocupou o gol. No meio-campo, Danilo atuou ao lado de Bruno Guimarães, e o ataque foi formado por Estêvão, Raphinha, Endrick e Vinícius Júnior.
Seleção sofre para sair jogando
A Austrália começou a partida pressionando a saída brasileira. Durante os primeiros 20 minutos, o time de Ancelotti teve dificuldade para trocar passes desde a defesa, errou lançamentos e frequentemente tentou avançar por meio de bolas longas. O gramado castigado e o nervosismo de uma equipe em início de ciclo contribuíram para o cenário, mas não explicaram sozinhos a baixa produção.
A defesa foi o setor mais seguro do Brasil na etapa inicial. Marquinhos e Vitor Reis ganharam duelos importantes dentro da área, enquanto Matheuzinho participou das ações pelo lado direito. Douglas Santos buscou oferecer profundidade pela esquerda, embora também tenha cometido erros na execução.
O ataque, no entanto, não conseguiu estabelecer superioridade. Vinícius Júnior teve dificuldades para vencer a marcação e perdeu precisão nos passes e nas tentativas individuais. Endrick recebeu poucas bolas em condições de finalizar, e Estêvão encontrou pouco espaço para atuar entre os defensores australianos.
As melhores chegadas brasileiras no primeiro tempo ocorreram em lançamentos direcionados a Raphinha. Aos 45 minutos, Estêvão chegou a balançar as redes após finalizar com a perna direita, mas o lance foi invalidado por falta de Bruno Guimarães no início da jogada.
Brasil melhora após o intervalo, mas falha na conclusão
O comportamento da Seleção mudou no segundo tempo. A equipe passou a circular a bola pelo chão, Marquinhos avançou mais para participar da construção, e Danilo apareceu em posição mais adiantada. O quarteto ofensivo também se aproximou, facilitando a troca de passes e as tentativas de infiltração.
Estêvão encontrou Endrick e Raphinha em algumas jogadas verticais, mas a melhora na organização não se transformou em gol. A equipe criou mais do que na primeira etapa, porém continuou com dificuldade para finalizar as oportunidades. A falta de precisão manteve a partida equilibrada e permitiu que a Austrália permanecesse ameaçadora.
O gol dos donos da casa saiu aos 23 minutos. Irankunda cobrou falta por cima da barreira e colocou a bola no canto direito de Hugo Souza. A batida não foi muito forte, mas teve direção suficiente para superar o goleiro brasileiro, que quase não conseguiu reagir.
Em vantagem, a Austrália contou ainda com a atuação firme de Harry Souttar. O capitão levou vantagem em boa parte dos duelos com Endrick e também apareceu no ataque em lances de bola parada. O zagueiro foi uma das principais razões para o Brasil encontrar obstáculos nas disputas pelo alto.
Mudanças não impedem empate nos acréscimos
Ancelotti mexeu na equipe durante a etapa final para buscar uma resposta. Samuel Lino, Pedro, Mauro Júnior e Rayan entraram ao longo do segundo tempo. As alterações aumentaram a presença brasileira no campo de ataque, mas não resolveram completamente a dificuldade para construir jogadas claras diante de uma defesa bem posicionada.
O empate nasceu de uma bola parada no último ataque relevante da partida. Raphinha cobrou escanteio pelo lado esquerdo, e Rayan se antecipou na área para cabecear. O gol aos 49 minutos devolveu equilíbrio ao placar e impediu que a estreia de Ancelotti terminasse com derrota.
Apesar do ponto conquistado, a partida deixou sinais claros para a sequência do trabalho. O Brasil precisará evoluir na saída de bola, reduzir a dependência de lançamentos e encontrar soluções para acionar seus principais atacantes. Vinícius Júnior, referência ofensiva e nome de confiança do treinador, teve desempenho discreto, enquanto Endrick foi pouco envolvido no jogo.
Seleções voltam a se enfrentar em Brisbane
O empate foi o primeiro de dois amistosos entre Brasil e Austrália nesta Data Fifa. As equipes voltarão a se enfrentar na próxima terça-feira, em Brisbane. O novo duelo dará a Ancelotti a oportunidade de testar outras combinações e avaliar as respostas dos jogadores utilizados em Townsville.
A atividade que antecedeu a estreia já havia indicado algumas das escolhas do treinador. Matheuzinho e Vitor Reis apareciam entre as novidades da formação principal, enquanto Pedro, Rayan e Breno Bidon eram opções para o decorrer do jogo. Rayan acabou sendo decisivo justamente ao sair do banco, em uma das poucas respostas positivas do Brasil no fim da partida.
O segundo compromisso contra os australianos será, portanto, mais uma etapa de observação. A reação nos acréscimos preservou o resultado, mas a atuação mostrou que o novo ciclo ainda precisa ganhar consistência, especialmente na criação ofensiva e na capacidade de controlar o jogo desde os primeiros minutos.