A arbitragem controversa gerou revolta em torcedores do Boca Juniors após derrota para o Vasco.Foto: Reprodução da Internet
A vitória do Vasco sobre o Boca Juniors na Bombonera ficou marcada não apenas pelo resultado da ida da semifinal da Copa Sul-Americana, mas também pela repercussão da arbitragem. A atuação do chileno Piero Maza provocou críticas de torcedores argentinos, inclusive de apoiadores do próprio clube de Buenos Aires.
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O principal ponto de contestação apareceu logo aos oito minutos. Milton Delgado atingiu Andrés Gómez em uma entrada considerada grave por diversos internautas, mas recebeu somente cartão amarelo. Nas redes sociais, torcedores defenderam que o volante do Boca deveria ter sido expulso.
A insatisfação aumentou porque, durante o confronto, um jogador do Vasco recebeu cartão vermelho. A comparação entre os dois lances levou parte dos torcedores a acusar Maza de adotar critérios diferentes para situações que, na avaliação deles, apresentavam níveis semelhantes de infração. Não houve, porém, revisão oficial dos episódios no material divulgado.
Reclamações partiram também de torcedores do Boca
As manifestações publicadas após os lances tiveram tom forte. Internautas argentinos classificaram a arbitragem como vergonhosa e questionaram a decisão de não expulsar Delgado. Alguns também reclamaram de um suposto impedimento marcado durante a partida e da forma como faltas e cartões foram distribuídos.
Entre as mensagens, houve críticas de torcedores que se identificaram como simpatizantes do Boca. Eles afirmaram que o clube teria sido beneficiado em determinados momentos, mas também protestaram contra a expulsão vascaína. O conteúdo das redes representa a opinião dos usuários e não equivale a uma conclusão da Conmebol sobre o desempenho da equipe de arbitragem.
Um dos argumentos mais repetidos foi a sequência de partidas do Boca como mandante na competição sob o comando de Maza. O chileno havia apitado os duelos contra Deportivo Recoleta, pelas oitavas de final, e São Paulo, pelas quartas, ambos na Bombonera. A semifinal contra o Vasco foi o terceiro jogo consecutivo do time argentino em casa na Sul-Americana com o mesmo árbitro.
Histórico de Maza na Bombonera voltou à discussão
O confronto diante do Deportivo Recoleta também foi lembrado nas reclamações. Naquela partida, o Boca realizou as duas saídas de bola: uma no começo do primeiro tempo e outra depois do intervalo. O jogo não foi interrompido na segunda ocorrência. O time argentino venceu por 3 a 1, e o episódio passou a ser citado novamente pelos torcedores ao comentar a atuação de Maza diante do Vasco.
A lembrança do duelo anterior não prova, por si só, qualquer irregularidade na semifinal. Ela ajuda a explicar por que a escolha do árbitro já era observada antes do jogo e por que os lances contra o Vasco ganharam repercussão entre os argentinos. A discussão se concentrou na consistência dos critérios, especialmente na diferença entre o amarelo mostrado a Delgado e o vermelho aplicado ao atleta vascaíno.
Com o resultado obtido em Buenos Aires, o Vasco passou a levar vantagem para a partida de volta. A classificação, contudo, ainda depende do segundo confronto, que definirá o finalista da Copa Sul-Americana. A arbitragem acrescentou tensão ao reencontro, mas não alterou oficialmente o placar nem substitui a análise esportiva do desempenho das equipes.
Decisão no Rio terá estádio lotado
A partida de volta será disputada no Maracanã, no Rio de Janeiro, depois de uma nova decisão judicial que manteve o estádio como palco do confronto. A determinação foi assinada pelo desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto e ainda poderia ser contestada pelo Consórcio Fla-Flu, responsável pela administração do local.
A definição do mando foi acompanhada por uma disputa judicial que provocou mudanças no processo de venda. O Vasco abriu a comercialização depois de um parecer favorável, mas a liberação chegou a ser suspensa por um recurso aceito posteriormente. Uma nova decisão recolocou o jogo no Maracanã.
O clube anunciou que os ingressos estavam esgotados. Na última parcial divulgada antes do comunicado, havia 45 mil entradas emitidas, embora o Vasco não tenha informado o número final de bilhetes vendidos. A expectativa de arquibancadas lotadas cria um cenário diferente para a equipe brasileira em relação à pressão enfrentada na Bombonera.
Euller relembrou eliminação de 2001
O reencontro também recuperou uma lembrança dolorosa para o Vasco. O ex-atacante Euller, campeão pelo clube e conhecido como Filho do Vento, comentou a eliminação para o Boca nas quartas de final da Copa Libertadores de 2001. Naquela campanha, os argentinos contavam com Juan Román Riquelme e foram apontados pelo ex-jogador como uma das equipes mais fortes do período.
O Boca venceu o primeiro jogo por 1 a 0, em São Januário. Na volta, na Bombonera, abriu três gols de vantagem ainda nos primeiros 30 minutos e confirmou a classificação. Euller avaliou que o Vasco poderia ter aproveitado melhor o mando de campo na ida e reconheceu que o desempenho da equipe ficou abaixo do esperado.
Na análise do ex-atacante, a derrota no Rio obrigou o Vasco a buscar uma reação em Buenos Aires, situação que favoreceu o estilo do Boca daquela época, especialmente nos contra-ataques. Ele também mencionou que Helton não apresentou a segurança habitual naquela partida.
Apesar do histórico, Euller vê diferenças entre os dois momentos. Para ele, o Vasco atual está em evolução, enquanto o Boca não repete a força demonstrada no começo dos anos 2000. O ídolo cruzmaltino afirmou ainda que a possibilidade de decidir diante da torcida brasileira aumenta a confiança na classificação.
Assim, a volta reúne três elementos diretamente ligados à semifinal: a vantagem construída pelo Vasco, a repercussão das decisões de Piero Maza e o apoio esperado no Maracanã. Para avançar, o time brasileiro precisará administrar o resultado obtido na Argentina em um estádio já confirmado como lotado.