O Bahia voltou a desperdiçar uma cobrança de pênalti em um momento decisivo. Everaldo parou no goleiro Mycael nos acréscimos da derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, no último domingo, e o lance impediu que o Tricolor buscasse o empate no Campeonato Brasileiro. Além do impacto imediato no resultado, o erro recolocou as penalidades no centro das discussões dentro do clube.
Com a cobrança perdida em Curitiba, o Bahia chegou a quatro pênaltis desperdiçados em 13 oportunidades na temporada. O levantamento do Gato Mestre, divulgado pelo ge, considera partidas oficiais disputadas no tempo normal e não inclui amistosos nem disputas de pênaltis. Nesse recorte, o time baiano divide com Bragantino, Remo e Athletico-PR o primeiro lugar entre os clubes que mais erraram.
Bahia tem o maior volume de cobranças
O ranking negativo não significa que o Bahia tenha criado poucas situações dentro da área adversária. Pelo contrário. A equipe é a que mais teve pênaltis a favor entre os times analisados, com 13 cobranças. Nove delas foram convertidas, número que coloca o Tricolor ao lado de Vitória e Cruzeiro entre os clubes que mais marcaram dessa forma.
A combinação entre volume e aproveitamento irregular ajuda a dimensionar o problema. O Bahia teve 69,2% de aproveitamento nas penalidades consideradas pelo levantamento e aparece na oitava pior posição geral nesse quesito. Ao mesmo tempo em que lidera o número de oportunidades, o clube também está entre os que mais deixaram de aproveitá-las.
O lance contra o Athletico-PR ganhou peso porque ocorreu nos minutos finais, quando o placar era de 2 a 1 para os paranaenses. A defesa de Mycael encerrou a possibilidade mais clara de igualdade e fez o Bahia sair sem pontuar de um jogo no qual ainda poderia ter evitado a derrota. O pênalti não explica sozinho o resultado, mas teve relação direta com a chance perdida de mudar o desfecho.
Problema já havia provocado eliminação
A dificuldade nas cobranças não começou na rodada mais recente do Brasileiro. No início da temporada, o Bahia chegou a registrar somente 50% de aproveitamento nas primeiras tentativas. O momento mais doloroso ocorreu na eliminação para o O'Higgins, do Chile, na segunda fase prévia da Libertadores. Na disputa por pênaltis que decidiu o confronto, o clube baiano desperdiçou duas cobranças.
Depois daquele período, o time conseguiu construir uma sequência de sete penalidades convertidas consecutivamente. A série diminuiu a pressão sobre o fundamento e levou Luciano Juba a assumir papel de destaque na função. O jogador perdeu sua primeira tentativa, mas terminou com quatro gols em cinco cobranças ao longo da temporada.
Juba havia convertido os dois pênaltis anteriores do Bahia e estava em campo no duelo com o Athletico-PR. Ainda assim, a bola foi entregue a Everaldo na reta final. A escolha acabou sendo questionada após a partida, especialmente porque o atacante não conseguiu superar Mycael e o resultado permaneceu favorável ao time paranaense.
Ceni assume responsabilidade pela escolha
Na entrevista coletiva depois do jogo, Rogério Ceni afirmou que a definição do cobrador cabe à comissão técnica. O treinador lembrou um episódio ocorrido contra o Remo, em março, quando Everaldo estava em campo e Luciano Juba assumiu uma penalidade. A referência foi usada por Ceni para contestar a cobrança sobre a decisão tomada diante do Athletico-PR.
O técnico assumiu publicamente a responsabilidade pela escolha de Everaldo. Ao ser questionado sobre a hierarquia dos cobradores, porém, reagiu de forma ríspida e classificou a pergunta como “oportunismo”. A declaração ampliou a repercussão de um lance que já chamava atenção pela situação do jogo, pela sequência recente de Juba e pelo histórico do Bahia na temporada.
O episódio também mostra que o clube ainda não transformou a sequência positiva do segundo semestre em uma solução definitiva para as penalidades. Os sete acertos consecutivos indicaram uma melhora, mas o erro nos acréscimos voltou a expor a necessidade de critérios claros para a escolha do cobrador. Como houve participação de mais de um jogador nessa função durante o ano, a definição continua sendo um tema relevante para a comissão técnica.
Próximo jogo será depois da Data Fifa
O Bahia terá um intervalo antes de tentar reagir no Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso oficial está marcado para 8 de outubro, contra o Palmeiras, pela 29ª rodada, no Nubank Parque. A pausa para a Data Fifa será o período disponível para o elenco e a comissão técnica trabalharem os pênaltis e revisarem a ordem de cobranças.
A preparação ganha importância porque o Bahia deverá continuar exposto a esse tipo de lance: os números do levantamento mostram que a equipe é a que mais conseguiu penalidades a favor na Série A dentro do recorte analisado. O desafio, portanto, não é apenas criar as oportunidades, mas convertê-las com regularidade. Até aqui, quatro erros em 13 tentativas recolocaram o clube no topo de uma estatística que o time parecia ter deixado para trás.