O Atlético-MG ainda não definiu quando poderá contar novamente com Ruan Tressoldi, mas recebeu uma notícia positiva após o susto no primeiro clássico contra o Cruzeiro pelas quartas de final da Copa do Brasil. Exames realizados depois da queda não apontaram lesões estruturais no crânio nem na coluna cervical do zagueiro. Mesmo assim, a alta hospitalar não significa liberação imediata para treinamentos ou partidas.
Ruan permanece sob acompanhamento do departamento médico e terá de cumprir as etapas previstas no protocolo de concussão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O retorno será analisado de forma gradual, conforme a resposta do jogador às atividades. A possibilidade de participação no duelo de volta está aberta, mas o clube não trata a presença do defensor como garantida.
O médico do Atlético, Rodrigo Lasmar, explicou a situação em entrevista à Rádio Itatiaia. De acordo com o profissional, Ruan foi submetido a exames de crânio e coluna cervical, além de avaliação clínica. A investigação não identificou uma lesão provocada pelo impacto, mas a equipe médica manteve o período de observação por causa do tipo de trauma sofrido durante a partida.
O lance ocorreu logo no primeiro minuto de Cruzeiro e Atlético, disputado na noite de terça-feira, dia 25, no Mineirão. Ruan tentou participar de uma disputa aérea com Kaio Jorge, perdeu o equilíbrio após o contato e caiu de maneira brusca. A cabeça e a região do pescoço foram atingidas no movimento, o que levou à ativação do protocolo específico para suspeita de concussão.
O árbitro Flávio Rodrigues de Souza marcou falta no lance, mas não mostrou cartão ao atacante do Cruzeiro. Ruan ainda tentou permanecer em campo depois da queda. A equipe médica atleticana, porém, recomendou a substituição do zagueiro. Vitão entrou em seu lugar ainda no primeiro tempo e completou a partida pelo time alvinegro.
No intervalo, Ruan foi encaminhado ao hospital Mater Dei, em Belo Horizonte. Segundo as informações divulgadas, ele permaneceu internado durante a noite e passou por novos exames na manhã seguinte. Antes de receber alta na quarta-feira, dia 26, o defensor também foi submetido a uma avaliação neurológica. O Atlético informou que ele deixou a unidade hospitalar sem que fossem encontradas alterações estruturais no crânio ou na coluna.
A ausência de uma fratura ou de outro dano estrutural não encerra a avaliação médica. Lasmar explicou que o protocolo começa com repouso e avança apenas se o atleta não apresentar sintomas ou queixas. Depois da primeira fase, Ruan deve passar por atividades na academia, corrida, exercícios de maior intensidade, mudanças de direção e trabalho com bola.
A etapa final envolve treinamentos com contato físico e situações semelhantes às de uma partida. Somente após completar essa progressão o jogador poderá ser considerado para retorno. O médico ressaltou que não há um prazo fixo para concluir o processo. A duração depende da evolução diária e da maneira como Ruan tolerar cada aumento de carga.
Segundo Lasmar, existe uma expectativa de evolução favorável que permita ao zagueiro ser avaliado para o jogo de terça-feira, dia 1º. A decisão, contudo, será tomada apenas depois da resposta do atleta nos treinos. Se surgirem sintomas, desconforto ou qualquer queixa relacionada ao episódio, a progressão poderá ser interrompida ou estendida.
Quatro jogadores seguem no departamento médico
O Atlético também atualizou a situação de outros quatro jogadores que estão em recuperação. O grupo inclui os zagueiros Léo Duarte e Lyanco, além dos meio-campistas Igor Gomes e Victor Hugo. Cada atleta está em uma fase diferente do tratamento, e as previsões de retorno variam de acordo com a natureza das lesões.
Léo Duarte trata uma lesão muscular na coxa direita e ainda não estreou pelo Atlético. O defensor foi contratado nesta janela de transferências e se machucou durante o período de pausa para a Copa do Mundo. Conforme a explicação de Lasmar, ele participou apenas de jogos-treino desde a chegada ao clube e está em fase final do processo, começando agora a correr em campo.
O médico afirmou que a recuperação de Léo Duarte ainda pode levar algum tempo. A adaptação a uma metodologia diferente de treinamentos e jogos foi citada como um fator que pode aparecer em casos de atletas que chegam de fora. O zagueiro, portanto, evolui para a etapa final, mas ainda não está em condição de ser tratado como opção imediata para a comissão técnica.
Lyanco enfrenta uma ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo. Lasmar classificou o problema como raro entre jogadores de futebol e evitou estabelecer uma data para o retorno. O tratamento depende da cicatrização da região e da melhora clínica, acompanhadas em avaliações diárias e semanais. Por esse motivo, o clube ainda prevê um período maior até que o defensor possa voltar a trabalhar normalmente.
Igor Gomes tem um estiramento do ligamento do pé direito. A evolução foi considerada positiva, mas o meia ainda precisa ser exposto gradualmente a atividades que aumentem a exigência sobre a área lesionada. A equipe médica pretende observar a reação do jogador aos treinos antes de definir uma liberação. Lasmar indicou que o tempo reduzido até as próximas partidas diminui as chances de retorno contra o Cruzeiro.
Entre os atletas do departamento médico, Victor Hugo é o caso mais avançado. O meio-campista se recupera de um edema no músculo adutor da coxa direita e já iniciou trabalhos com bola no campo. O clube vê possibilidade de que ele seja liberado nos próximos dias e até apareça entre os relacionados para o confronto de volta, mas a expectativa depende da evolução dos treinamentos.
Lasmar afirmou que a avaliação de Victor Hugo considerará as atividades realizadas na sequência. O jogador ainda precisará mostrar progressão suficiente para suportar o esforço exigido em uma partida. Assim como no caso de Ruan, a expectativa positiva não substitui a análise médica e física antes da definição da lista de relacionados.
Decisão da Copa do Brasil será na Arena
O empate por 1 a 1 no Mineirão deixou o confronto das quartas de final em aberto. Atlético e Cruzeiro voltam a se enfrentar na terça-feira, dia 1º, às 21h, na Arena MRV. O time alvinegro terá o mando de campo e contará com maioria de seus torcedores no estádio. A torcida cruzeirense terá direito a 10% da capacidade da arena.
O vencedor do segundo clássico avançará diretamente às semifinais da Copa do Brasil. Caso a igualdade permaneça no tempo regulamentar, a classificação será decidida nos pênaltis. A definição aumenta a importância da avaliação do elenco, especialmente para um Atlético que poderá ter de administrar a carga dos jogadores em recuperação antes da partida decisiva.
Antes do reencontro pela competição nacional, o Atlético enfrenta o Vitória neste sábado, dia 29, às 18h30, na Arena MRV, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. O compromisso será a primeira oportunidade para a comissão técnica observar a condição do grupo depois do clássico e acompanhar a evolução dos atletas que tentam voltar ao time.
Ruan, Victor Hugo, Igor Gomes, Léo Duarte e Lyanco vivem situações distintas, mas todos passam a ser acompanhados com atenção pelo clube. Para o zagueiro envolvido no lance com Kaio Jorge, a prioridade é completar o protocolo de concussão sem antecipar etapas. A eventual presença na decisão contra o Cruzeiro só será confirmada caso os exames, os treinamentos e a resposta clínica sustentem a liberação.