Artur Jorge busca a primeira vitória contra o Atlético-MG para melhorar o desempenho do Cruzeiro.Foto: Reprodução da Internet
Artur Jorge terá nesta quinta-feira (29) mais uma oportunidade para transformar o retrospecto em clássicos contra o Atlético-MG. O treinador português ainda não venceu o rival desde que assumiu o Cruzeiro e chega ao quarto encontro entre as equipes pressionado pelo histórico recente, mas respaldado pela campanha geral à frente da Raposa.
Atlético-MG e Cruzeiro se enfrentam às 19h30 (de Brasília), na Arena MRV, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado pode influenciar diretamente a disputa por uma vaga na Copa Libertadores de 2027, especialmente porque os dois clubes estão envolvidos na briga pelas primeiras posições da tabela.
Até agora, Artur Jorge soma um empate e duas derrotas nos clássicos contra o Atlético. A primeira partida terminou com vitória atleticana por 3 a 1, no Mineirão. Depois, os times empataram por 1 a 1 no jogo de ida das quartas de final. No duelo de volta, realizado na Arena MRV, o Cruzeiro chegou a estar em vantagem, mas perdeu por 2 a 1 após a virada do adversário.
O retrospecto que Artur Jorge tenta mudar
A derrota mais recente teve peso especial para o trabalho do técnico. Naquele confronto, Artur Jorge foi questionado por promover as saídas simultâneas de Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge. A alteração passou a fazer parte da memória recente dos encontros entre os clubes e aumentou a expectativa sobre as escolhas do treinador para o novo clássico.
Mesmo sem triunfar diante do Atlético, o português sustenta que o desempenho do Cruzeiro não pode ser analisado somente a partir de um adversário. Após a vitória sobre o Remo, ele afirmou que não vê “fantasmas” no clássico e destacou a necessidade de manter regularidade ao longo da temporada.
Na ocasião, Artur Jorge citou um trabalho com 24 jogos e 16 vitórias como argumento para defender a consistência da equipe. A declaração indicou que, para o treinador, o resultado contra o Atlético é importante, mas não deve apagar o desempenho construído em outros compromissos.
A vitória sobre o Remo, além de manter o Cruzeiro em bom momento antes do clássico, permitiu ao time concentrar a preparação no duelo estadual. O contexto é relevante porque a equipe terá de lidar com problemas no elenco, principalmente no setor ofensivo. O triunfo anterior também aparece como um dos elementos que sustentam a confiança celeste para buscar um resultado fora de casa.
Desfalques e retornos mexem com o Cruzeiro
O Cruzeiro não terá Gabriel Pec e Luis Sinisterra, ambos tratados como desfalques confirmados. Gabriel Pec continua em recuperação de uma cirurgia realizada no fim de julho, enquanto Sinisterra permanece indisponível. A ausência dos dois reduz as alternativas de Artur Jorge para montar o ataque.
Felipe Morais também não tem retorno assegurado para a partida. O jovem meio-campista segue como dúvida, sem garantia de que estará à disposição no clássico. Por isso, a formação celeste ainda dependia da avaliação da comissão técnica durante a preparação.
Em contrapartida, Keny Arroyo voltou a treinar normalmente após deixar o jogo contra o Remo por causa de um mal-estar. O equatoriano passou a ser uma alternativa para o setor ofensivo, justamente em um momento no qual o Cruzeiro convive com ausências confirmadas. O retorno aos treinamentos, porém, não equivale à confirmação de titularidade.
Na defesa, João Marcelo retorna após cumprir suspensão. A volta amplia as opções do treinador, mas também abre uma disputa por posição com Fabrício Bruno. A escolha pode alterar a composição do sistema defensivo e será uma das decisões observadas antes do início do confronto.
O cenário, portanto, combina a busca de Artur Jorge pela primeira vitória no clássico com a necessidade de administrar diferentes situações no elenco. O técnico precisa definir quem ocupará as vagas no ataque, avaliar a condição de Felipe Morais e decidir como utilizar João Marcelo na defesa.
Atlético também chega com baixas
O rival terá seis desfalques para a partida. O zagueiro Vitor Hugo está suspenso por ter recebido o terceiro cartão amarelo na derrota por 3 a 2 para o Flamengo. Ruan Tressoldi, Fred, Mateo Cassierra, Thiago Borbas e Tomás Cuello continuam em tratamento médico.
Apesar das ausências, o Atlético recuperou Gustavo Scarpa, liberado pelo departamento médico. Everson também recebeu liberação clínica, mas ainda dependia de uma avaliação física da comissão técnica para ter a participação confirmada. A situação do goleiro, portanto, era diferente da de um retorno definitivamente assegurado.
O conjunto de desfalques dos dois lados reforça a possibilidade de mudanças nas escalações. No Cruzeiro, as alterações podem atingir principalmente o ataque e a defesa; no Atlético, Eduardo Domínguez precisa reorganizar a equipe com uma suspensão e cinco jogadores fora por questões médicas.
Clássico pode pesar na disputa pela Libertadores
O Atlético-MG ficou estacionado nos 50 pontos depois da derrota para o Flamengo, quatro atrás do Cruzeiro e do Athletico-PR, que ocupavam as duas primeiras posições do G4 no cenário apresentado. Uma vitória na Arena MRV daria ao Cruzeiro a possibilidade de chegar aos 57 pontos e ampliar a distância para um concorrente direto.
O resultado também pode aumentar a importância estratégica do confronto na reta final do campeonato. Para o Cruzeiro, vencer significaria encerrar o jejum de Artur Jorge no clássico e fortalecer a campanha na busca por uma vaga continental. Para o Atlético, o duelo representa a chance de reagir depois do revés diante do Flamengo e reduzir a diferença para os adversários.
O treinador celeste, assim, terá de equilibrar o peso emocional do clássico com as limitações do elenco. A resposta de sua equipe na Arena MRV poderá definir não apenas o retrospecto pessoal contra o Atlético, mas também a posição do Cruzeiro na corrida pelas vagas da Libertadores.