Fabrício Bruno começou no banco de reservas na vitória do Cruzeiro por 3 a 1 sobre o Vitória, neste domingo (20), no Barradão, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. A ausência do zagueiro entre os titulares chamou atenção porque ele vinha sendo utilizado com frequência e havia relatado dores nas costas após a derrota por 2 a 1 para o Santos, em 13 de setembro.
Depois da partida em Salvador, Artur Jorge esclareceu que a decisão não esteve relacionada a uma limitação física. Segundo o treinador, os três zagueiros disponíveis estavam em condições de atuar, e a formação inicial com Jonathan Jesus e João Marcelo foi definida por uma escolha técnica específica para aquele confronto.
Fabrício Bruno ficou entre os suplentes por decisão técnica
Questionado sobre a presença do defensor no banco, Artur Jorge respondeu que a escolha poderia ter recaído sobre qualquer um dos três jogadores. O técnico também perguntou se o mesmo questionamento seria feito caso João Marcelo tivesse sido o suplente.
“Então está respondido, quer dizer que os dois estiveram bem e que era apenas uma opção do treinador”, afirmou o português, ao explicar a escalação da dupla formada por Jonathan Jesus e João Marcelo.
A justificativa ganhou peso porque Fabrício Bruno havia revelado, depois do revés diante do Santos, que convivia com dores nas costas havia aproximadamente nove meses. Na ocasião, o zagueiro disse que atravessava um período fisicamente difícil, mas que continuava se dedicando para defender o Cruzeiro.
O relato do jogador levantou a possibilidade de a condição física ter influenciado a escalação contra o Vitória. Artur Jorge, porém, apresentou a decisão como uma alternativa de jogo, sem indicar que o defensor estivesse impedido de atuar. Fabrício Bruno acabou sendo utilizado no segundo tempo, o que também permitiu ao treinador explicar a função que pretendia dar ao atleta.
Mudança na defesa foi condicionada ao comportamento do Vitória
O Cruzeiro não iniciou a partida com três zagueiros fixos. A estrutura foi utilizada na reta final, quando Fabrício Bruno entrou no lugar de Gerson, nos dez minutos finais, para reforçar a proteção da área diante da pressão do Vitória.
Artur Jorge afirmou que a alteração teve relação direta com a maneira como o adversário buscava atacar. A equipe baiana procurava chegar ao último terço pelos lados e lançar bolas para a área. Por isso, o Cruzeiro passou a reunir Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e João Marcelo em situações de cruzamento.
A configuração, no entanto, não significava que o time tivesse abandonado completamente a linha de quatro. Quando a bola estava mais distante da área cruzeirense, João Marcelo avançava para se posicionar próximo de Matheus Henrique. Assim, a equipe mantinha uma organização semelhante à linha de quatro e recorria ao terceiro zagueiro principalmente quando o Vitória atacava pelos corredores laterais.
“A questão dos três zagueiros tem a ver apenas com uma opção estratégica”, explicou o treinador. A ideia era aumentar a presença de jogadores capazes de disputar e afastar bolas aéreas, sem transformar a alteração em uma mudança permanente no modelo da equipe.
Além de Fabrício Bruno ter entrado para compor a defesa, Villalba já havia sido deslocado para a lateral esquerda após substituir Gabriel Rojas. O argentino marcou o gol da virada e, na parte final, o Cruzeiro chegou a ter quatro zagueiros de origem entre os jogadores posicionados na linha defensiva.
Vitória veio após desvantagem no primeiro tempo
A estratégia defensiva foi adotada em uma partida que começou com dificuldades para o Cruzeiro. O Vitória abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo, quando Renê recebeu na entrada da área e acertou um chute forte, sem chances para o goleiro Otávio.
Antes do intervalo, João Marcelo também apareceu em uma jogada defensiva importante ao salvar uma finalização do próprio Renê. O Cruzeiro teve dificuldades para controlar as ações no meio-campo e terminou a primeira etapa atrás no placar.
Na volta do intervalo, Artur Jorge fez mudanças na organização da equipe. Com o meio-campo mais povoado, o time mineiro passou a trocar mais passes e encontrou espaços para avançar. Arroyo empatou após finalização defendida por Lucas Arcanjo, mas que acabou entrando no gol.
A virada saiu aos 21 minutos. Arroyo avançou pela direita e cruzou para Villalba, que finalizou da entrada da área e colocou o Cruzeiro em vantagem. Já no fim do confronto, Matheus Pereira marcou o terceiro gol e confirmou a reação fora de casa.
O resultado permitiu ao Cruzeiro responder depois da derrota para o Santos e encerrou uma partida em que o time precisou ajustar a formação durante o jogo. A atuação também deixou evidente que Jonathan Jesus, João Marcelo e Fabrício Bruno podem ser acionados conforme a estratégia escolhida para cada adversário, embora a declaração de Artur Jorge não confirme uma mudança definitiva na hierarquia da defesa.
Cruzeiro volta a jogar depois da Data Fifa
O próximo compromisso do Cruzeiro será contra o São Paulo, em 7 de outubro, às 21h30, no Mineirão. O intervalo provocado pela Data Fifa dará à comissão técnica um período para treinar a equipe e acompanhar a situação física dos jogadores do setor defensivo.
Até o confronto com o time paulista, não há confirmação de que Fabrício Bruno voltará automaticamente à titularidade ou de que o Cruzeiro passará a utilizar três zagueiros como formação principal. Pelo relato de Artur Jorge, as duas decisões tomadas contra o Vitória — a escalação inicial e a configuração defensiva do fim da partida — estiveram ligadas às necessidades daquele jogo.