O Botafogo entra na reta final do Campeonato Brasileiro com uma meta imediata estabelecida por Tite: chegar a 44 ou 45 pontos antes de mirar objetivos mais ambiciosos. A avaliação do treinador considera a posição atual da equipe e a proximidade da zona de rebaixamento, cenário que impede o clube de tratar a parte de cima da tabela como prioridade neste momento.
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O Alvinegro tem 35 pontos e aparece na 12ª colocação. A distância para o Z4 é de seis pontos. Embora esteja fora da faixa de queda, o time ainda não construiu uma margem que Tite considere suficiente para projetar uma reação mais ampla na competição. Por isso, o discurso do técnico combina cobrança por resultados e cautela na definição das metas.
Em entrevista ao Grupo Globo, exibida pelo programa “Tá On”, do SporTV, Tite afirmou que o alerta não se restringe ao Botafogo. Na avaliação do treinador, cerca de dez equipes vivem situação semelhante na parte inferior do Campeonato Brasileiro e precisam primeiro se afastar do risco esportivo.
“A história do Botafogo recente e passada requer mais. Porém, esse momento, de umas dez equipes dentro do campeonato, é um momento de alerta e de atenção. Quem não conseguir os 45, até os 44, 45 pontos, fica numa zona de alerta. Para depois tu ambicionar”, declarou.
A pontuação mencionada por Tite funciona como uma referência tradicional na disputa contra o rebaixamento, mas não representa garantia matemática de permanência na Série A. No contexto do Botafogo, a marca foi apresentada como uma barreira inicial: o clube precisa somar pelo menos mais nove ou dez pontos para alcançar a faixa citada pelo treinador e reduzir a pressão provocada pela proximidade do Z4.
A estratégia não significa que o técnico tenha abandonado a expectativa de uma campanha mais forte. Tite reconheceu que a trajetória recente e histórica do Botafogo exige pretensões maiores, mas indicou que essas ambições dependem do cumprimento de etapas. Antes de observar posições mais altas, a equipe precisa interromper a instabilidade na classificação e criar uma margem mais confortável.
Para explicar a postura, o treinador recorreu a uma frase associada ao escritor Mário Quintana. “Os passos fazem o caminho”, afirmou Tite, ao defender a concentração no compromisso seguinte. A ideia apresentada pelo técnico é trabalhar com um objetivo concreto por vez, sem antecipar projeções que ainda dependem da pontuação acumulada nas próximas rodadas.
Clássico marca segundo jogo sob o comando de Tite
O próximo passo citado pelo treinador será diante do Vasco. O clássico está marcado para quarta-feira (7), às 20h30, no Estádio Nilton Santos, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será a segunda de Tite à frente do Botafogo e a primeira desde a pausa do calendário para a Data Fifa.
O técnico assumiu recentemente o comando da equipe e teve somente um jogo oficial antes da interrupção. Na estreia, o Botafogo perdeu por 2 a 0 para o Mirassol. O resultado deixou o novo trabalho sem pontuar em seu primeiro compromisso e aumentou a importância do período de preparação antes do duelo com o Vasco.
As duas semanas sem partidas ofereceram à comissão técnica mais tempo para conhecer o elenco e trabalhar ajustes. As fontes não detalham mudanças específicas na formação ou no modelo de jogo, mas o intervalo permitiu que Tite conduzisse uma preparação mais longa do que a disponível na chegada ao clube. O clássico, portanto, será a primeira oportunidade de avaliar a equipe após esse período de trabalho.
Além dos treinamentos, a comissão acompanhou a situação dos três jogadores do Botafogo convocados para seleções durante a Data Fifa. O zagueiro Ferraresi esteve com a Venezuela, enquanto os volantes Danilo e Huguinho foram chamados, respectivamente, para a Seleção Brasileira e para o Brasil sub-20.
Tite afirmou que a comissão técnica monitorou o processo dos atletas, mas diferenciou o acompanhamento do controle sobre os resultados obtidos pelas seleções. O treinador citou uma videoconferência com Huguinho e explicou que o contato teve o objetivo de transmitir orientações e valorizar a preparação do jogador, sem interferir diretamente no trabalho realizado durante o período internacional.
“Temos o controle do processo, não de resultados. Consolidar e valorizar a qualificação do trabalho”, disse o técnico. A declaração reforça a intenção de manter os atletas integrados ao planejamento do clube mesmo quando estão fora do país ou treinando com outras categorias da Seleção Brasileira.
O confronto com o Vasco terá, assim, peso em duas frentes para o Botafogo. Será o primeiro teste de Tite depois de um intervalo ampliado de preparação e também uma chance de iniciar a busca pelos pontos necessários para alcançar a meta de 44 ou 45. Sem uma distância considerada segura para o Z4, o Alvinegro precisa transformar o discurso de cautela em resultados para, somente depois, avaliar se há espaço para objetivos mais altos no Brasileirão.