O trabalho aconteceu dois dias depois do empate sem gols na Vila Belmiro, resultado suficiente para confirmar a vaga alviverde. No jogo de volta das quartas de final, o Palmeiras teve nove tentativas de gol, mas apenas uma foi na direção da meta santista. O volume ficou abaixo do registrado nos três mata-matas anteriores da competição, quando o time finalizou 18, 14 e 20 vezes, com pelo menos quatro chutes no alvo em cada partida.
Os números foram produzidos em uma circunstância específica. O Palmeiras havia construído uma vantagem de 3 a 0 no primeiro encontro e chegou ao clássico podendo perder por até dois gols de diferença sem deixar a competição. Com a classificação bem encaminhada, a equipe priorizou a proteção do resultado e adotou uma postura menos agressiva durante boa parte dos 90 minutos.
A estratégia cumpriu o objetivo esportivo, mas não eliminou a necessidade de corrigir aspectos da atuação. Por isso, o retorno aos treinos serviu para recolocar o ataque no centro da preparação. A comissão técnica trabalhou fundamentos que podem ser decisivos em partidas nas quais o Palmeiras precise propor mais o jogo, ocupar o campo adversário e transformar posse em oportunidades.
Os atletas que foram a campo participaram inicialmente de exercícios de passe e posse em espaço reduzido. Depois, o grupo realizou atividades de conclusão e enfrentamentos no último terço, com atenção às ações próximas da área adversária. A programação indicou uma resposta direta ao baixo número de finalizações certas registrado no clássico, sem desconsiderar que a postura cautelosa foi influenciada pela vantagem obtida no primeiro jogo.
Controle de carga acompanha sequência apertada
A reapresentação não teve a mesma programação para todos os jogadores. Os atletas que permaneceram em campo por mais de 45 minutos contra o Santos cumpriram um cronograma de recuperação nas áreas internas do centro de excelência. A medida faz parte do controle de carga adotado pelo clube em um período de calendário exigente.
O Palmeiras atravessa uma sequência de seis partidas em 19 dias. Nesse intervalo, a comissão técnica precisa equilibrar o trabalho voltado à melhora ofensiva com a preservação física dos atletas mais utilizados. Agustín Giay e Flaco López foram substituídos no intervalo do clássico, enquanto Khellven e Vitor Roque entraram somente na segunda etapa.
A divisão das atividades também se relaciona ao planejamento para o próximo compromisso. O Palmeiras enfrentará o Botafogo no domingo, às 18h30, no estádio Nilton Santos, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. O duelo será disputado poucos dias depois da decisão contra o Santos e abre uma nova etapa da sequência nacional do clube, agora com a equipe novamente concentrada na competição por pontos corridos.
O planejamento para o confronto começou ainda antes do clássico pela Copa do Brasil. Com a vantagem construída no primeiro jogo, Abel Ferreira avaliava a possibilidade de fazer mudanças pontuais para administrar o desgaste. Na preparação, Barboza, Piquerez e Jhon Arias haviam voltado a treinar com o grupo e eram avaliados para um possível retorno, enquanto Ramón Sosa, Paulinho e Jefté estavam fora por problemas físicos.
Também estavam sob análise alterações na defesa e no meio-campo, com Emiliano Martínez e Lucas Evangelista entre as opções consideradas pela comissão técnica. A intenção era equilibrar a necessidade de confirmar a classificação com a preservação de jogadores para a sequência do calendário. No confronto da Vila Belmiro, o Palmeiras administrou a vantagem, empatou sem gols e avançou sem precisar das cobranças de pênaltis.
Comando e escalação ainda exigem atenção
O compromisso contra o Botafogo envolve ainda uma questão disciplinar fora do campo. Abel Ferreira recebeu suspensão de dois jogos aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O Palmeiras recorreu da decisão e solicitou efeito suspensivo, mas a presença do treinador à beira do gramado depende da análise do pedido.
Se o efeito suspensivo não for concedido antes da partida, João Martins será o responsável por dirigir a equipe no estádio Nilton Santos. A definição acrescenta uma pendência ao planejamento do jogo, que já exige atenção à condição física do elenco por causa da sequência de compromissos e do intervalo reduzido entre as partidas.
O clube também terá de lidar com restrições disciplinares dentro do elenco. A suspensão de Arthur foi mantida, e quatro titulares estão pendurados para a rodada. O cenário torna relevante o gerenciamento dos minutos e dos cartões, especialmente em uma partida fora de casa contra um adversário que também disputa espaço na parte alta do Campeonato Brasileiro.
A classificação na Copa do Brasil assegurou ao Palmeiras a continuidade na disputa pelo título e permitiu que a equipe deixasse para trás a pressão específica do mata-mata contra o Santos. No entanto, o calendário não oferece pausa prolongada. O time precisa combinar a segurança defensiva demonstrada na Vila Belmiro com maior presença ofensiva diante do Botafogo.
O treino realizado após o clássico não representa uma mudança completa de identidade, mas evidencia uma prioridade imediata da comissão técnica: aprimorar a capacidade de finalizar depois de uma partida em que o resultado foi protegido com pouca exposição. A resposta terá de aparecer em um compromisso de Brasileirão no qual o Palmeiras não contará apenas com a vantagem acumulada em um confronto eliminatório.